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Atualizado às: 14 de setembro, 2005 - 00h13 GMT (21h13 Brasília)
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ONU aprova documento 'diluído' para reunião

Símbolo da ONU
Para Annan, exclusão do desarmamento foi maior perda
A Assembléia-Geral da Organização das Nações Unidas aprovou nesta terça-feira uma versão diluída dos compromissos que serão adotados pelos chefes de Estado que participam da cúpula mundial a partir desta quarta-feira, em Nova York.

Depois de intensas negociações que atravessaram o fim de semana e foram até esta terça-feira de madrugada, os representantes de um grupo de 32 países aceitaram uma versão do documento elaborada pelo presidente da Assembléia-Geral, Jean Ping, do Gabão. O texto foi então submetido à assembléia, formada por 191 países.

“Não é um texto que resulta das negociações, é um texto apresentado pelo presidente da assembléia para que se chegasse a um acordo que pudesse ser aceitável”, afirmou à BBC Brasil o embaixador brasileiro na ONU, Ronaldo Sardenberg, que participou dos dois grupos, primeiro de 32 e depois de 15 países, que se dedicaram a tentar um acordo que agradasse a todos e ao mesmo tempo apresentasse avanços.

O embaixador disse que o texto é bem melhor do que o anterior, do qual havia reclamado bastante poucas horas antes. “Não é que estejamos inteiramente satisfeitos, mas houve avanços significativos”, afirmou Sardenberg.

O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, disse que a entidade "obviamente" não conseguiu o que queria, mas definiu o acordo como "um importante passo adiante".

Annan afirmou que a questão do desarmamento nuclear foi "o grande item" a ficar de fora do documento e fez um apelo a líderes mundiais para que voltem a discutir o assunto nesta semana.

O tema enfrentou grande oposição dos Estados Unidos, que não aceitam a redução do seu próprio arsenal.

Pontos polêmicos

Até a apresentação do texto do presidente da assembléia, o documento estava cheio de parênteses, marcando os pontos sobre os quais ainda não havia acordo. Ping “limpou” o texto, retirando os pontos mais polêmicos e reescrevendo outros numa linguagem mais genérica.

Se por um lado a estratégia do presidente da Assembléia-Geral garantiu que a reunião desta quarta-feira já começasse com um documento sobre a mesa, por outro lado frustrou os que esperavam profundas mudanças na gerência da organização e no sistema multilateral.

Entre os objetivos iniciais estavam a criação de um Conselho de Direitos Humanos, para substituir a desacreditada Comissão dos Direitos Humanos, e pontos que vêm sendo negociados na organização há anos, como a definição de terrorismo. Esperava-se ainda que os países reafirmassem o compromisso com as Metas do Milênio para redução da pobreza e concordassem com profundas reformas administrativas para tornar a ONU mais rápida e eficiente.

O documento, na versão final, é considerado por vários embaixadores o “ponto de partida” para várias dessas mudanças. Muitos, incluindo o secretário-geral Kofi Annan, destacaram a dificuldade de se encontrar um consenso num grupo de 191 países com interesses diferentes. O Conselho de Direitos Humanos, por exemplo, chega a ser criado, mas os detalhes de como vai funcionar serão definidos no futuro.

O embaixador do Chile, Heraldo Muñoz, também considera que o documento final traz avanços importantes, mas concorda que como um documento de consenso não contempla todas as reivindicações dos países em desenvolvimento.

A maior decepção do documento, na avaliação do embaixador chileno, é a falta de detalhes sobre o Conselho de Direitos Humanos e a ausência de referência ao desarmamento.

O embaixador americano na ONU, que há pouco mais de duas semanas apresentou 750 emendas ao documento que vinha sendo discutido pelos países-membros desde março, se disse satisfeito com o resultado, mas criticou a maneira como as decisões são tomadas na organização.

“É preciso pensar se a cultura de tomada de decisões da ONU é a mais efetiva”, afirmou Bolton. “Esta é uma questão de longo prazo.”

Os líderes que participam a partir desta quarta-feira da reunião de cúpula já começam a chegar a Nova York. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou nesta terça-feira à noite, e se instala até quinta-feira no Hotel Waldorf-Astoria.

A segurança já está reforçada em Nova York por causa do evento, que deverá contar com mais de 150 chefes de Estado e Governo. Cerca de 4 mil policiais participam da operação. A polícia fechou ruas e aumentou a segurança nas estações de metrô próximas à sede da ONU, no leste de Manhattan.

O presidente americano, George W. Bush, se encontrou na sede da ONU nesta terça-feira com o secretário-geral Kofi Annan e faz dois discursos nesta quarta-feira.

Lula participa de várias reuniões nesta quarta-feira na cúpula da ONU, entre elas uma do Conselho de Segurança (o Brasil é membro rotativo até o fim do ano). Junto com outros líderes, o presidente também faz uma apresentação à imprensa da Declaração de Nova York de 2005, sobre a Ação contra a Fome e a Pobreza,

No fim da tarde se reúne com o secretário-geral, Kofi Annan.

Na quinta-feira, Lula tem um café da manhã com investidores oferecido pelo Conselho das Américas, faz um discurso na reunião de alto nível sobre as Metas do Milênio e na hora do almoço volta para Brasília.

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