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Negociações sobre declaração da ONU avançam noite adentro | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
As negociações sobre o acordo que deverá ser fechado pelos chefes de Estado e de Governo na reunião de cúpula mundial continuam nesta segunda-feira à noite, dois dias antes do início da maior reunião já realizada na organização. Os representantes dos 191 países-membros que compõem a Organizações das Nações Unidas (ONU) ainda não conseguiram chegar a um consenso sobre todos os pontos. Alguns foram simplesmente retirado do documento que deverá ser apresentado no evento. O resultado, na avaliação de vários embaixadores, é que a reunião não será o fracasso que se temia no fim de semana, mas trará menos avanços do que alguns membros gostariam. O encontro vai reunir mais de 170 chefes de Estado e de Governo na sede da ONU, em Nova York, de quarta a sexta-feira, para comemorar os 60 anos de criação da ONU e atualizar os compromissos com as Metas do Milênio assinados há cinco anos. A reunião vinha sendo apresentada pela ONU como uma oportunidade histórica de reunir tantos líderes e acertar compromissos sobre as Metas do Milênio e importantes reformas na estrutura da organização. Lula O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega a Nova York nesta terça-feira à noite, e participa das discussões na quarta e quinta-feira. Desta vez, ao contrário dos dois anos anteriores, Lula não faz o discurso de abertura dos debates da Assembléia-Geral da ONU, que começam no sábado, com um discurso do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. Lula participa na quarta-feira de um painel sobre o financiamento do desenvolvimento, que discute maneiras de aumentar a contribuição dos países ricos para os países pobres, de uma reunião do Conselho de Segurança (o Brasil é membro rotativo até o fim deste ano) e de um encontro da Ação contra a Fome e a Pobreza. Na quinta, Lula discursa no plenário. As discussões para a cúpula mundial começaram em março, a partir do relatório Por uma Maior Liberdade, de Kofi Annan, elaborado a partir das recomendações de uma comissão independente para tornar a organização mais eficiente. Há pouco mais de duas semanas, o novo embaixador americano na ONU, John Bolton, apresentou 750 emendas ao documento, que de acordo com especialistas muda substancialmente a proposta original. O relatório do secretário-geral propõe a expansão do Conselho de Segurança e reformas na estrutura da organização, com a criação de uma nova comissão para ajudar países recém-saídos de conflito e de um Conselho de Direitos Humanos para substituir a atual comissão, além de mudanças na estrutura administrativa. EUA O governo americano, de modo geral, quer uma estrutura administrativa mais enxuta e se opõe a qualquer expansão do Conselho de Segurança da ONU no momento. O cientista político Luiz Bitencourt, pesquisador sênior do Woodrow Wilson Center e especialista em relações exteriores, diz que as mudanças propostas pelos Estados Unidos acabaram desviando a atenção do debate sobre a expansão do Conselho de Segurança, desejada pelo Brasil e oposta pelos Estados Unidos. Ele acha que o documento final será bem diferente do original e com ambição bem menor. “Será uma ducha de água fria para aqueles que tinham grandes expectativas, principalmente sobre aumentar a contribuição para o desenvolvimento”, diz. Mas, embora as propostas que mudaram o documento na última hora sejam americanas, ele diz que os países em desenvolvimento também têm culpa por não terem se organizado. “Ficaram muito concentrados no Conselho de Segurança, que a meu ver teria importância menor porque o centro de decisões não vai mudar mesmo, quando poderiam ter se concentrado mais em outros temas e talvez avançado mais na agenda do desenvolvimento”, afirma. Nile Gardiner, especialista em política externa da Heritage Foundation, em Washington, concorda que a ajuda ao desenvolvimento é a área mais importante da cúpula, mas ele não acredita num acordo que deixe explícito o aumento da contribuição dos países ricos. “Kofi Annan está pedindo 0,7% do PIB e os Estados Unidos já disseram que é inaceitável”, afirma. O grande número de emendas americanas, na avaliação dele, mostram que o embaixador John Bolton está colocando em prática os interesses do país. “John Bolton tem um objetivo na Onu, que é avançar os interesses dos Estados Unidos”, resume. Paul James, diretor do Fórum de Políticas Globais, baseado em Nova York, já dizia na semana passada que é quase certo que haverá um documento em cima da mesa, para evitar um constrangimento entre os presidentes. “Mas se este documento terá alguma significância ainda precisamos ver, afirma. |
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