|
Ativistas são acusados de usar família de Jean | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Militantes de esquerda que lideram a campanha "Justiça para Jean" na Grã-Bretanha estão sendo acusados de explorar a tragédia do brasileiro morto numa estação de metrô em Londres no mês passado para impôr sua própria agenda política. Nas duas entrevistas coletivas concedidas nos últimos dias pelo primo de Jean Charles de Menezes, Alessandro Pereira, único representante da família em Londres, os dois porta-vozes da campanha, que dizem defender os interesses da família do eletricista, permaneceram ao lado de Pereira o tempo todo. Nos programas jornalísticos de vários canais de televisão britânicos, Assad Rehman e Yasmin Khan receberam muito mais espaço do que Pereira, já que o brasileiro não fala inglês fluentemente. O integrante da Assembléia de Londres Brian Coleman, do Partido Conservador, que faz oposição ao governo britânico, acusa os dois ativistas de se aproveitar da família para defender seus próprios interesses políticos. "Na declaração lida por Pereira na última sexta-feira, em que ele pede a renúncia de Ian Blair, será que ele sabia quem era Ian Blair? E, obviamente, não foi ele que escreveu aquele texto, que ele sofreu para ler com o seu pobre inglês", afirmou o político. 'Esquerdistas radicais' A declaração lida na primeira "entrevista coletiva" de Pereira depois do vazamento das informações da comissão independente que investiga a morte de Jean Charles foi redigida num inglês bom e sem erros. Como de praxe, logo após a leitura do texto, jornalistas britânicos bombardearam Pereira com perguntas. O primo de Jean Charles ficou em silêncio enquanto os dois ativistas respondiam às perguntas, sempre destacando o que eles classificaram de incompetência da polícia no caso da morte de Jean Charles. Segundo Coleman, a "família de Jean Charles foi corrompida com uma agenda de esquerdistas radicais". "Eu sinto pena dessa família e eles vão perder a simpatia da população britânica se eles continuarem sendo mal assessorados por essas pessoas. Só posso dar um conselho: que eles fiquem longe de ativistas políticos que não têm representatividade", afirmou Coleman. Rehman como Khan, da campanha "Justiça para Jean", não quiseram conversar com a reportagem da BBC Brasil sobre o tema. Segundo um assessor, eles consideram as críticas "inadequadas" e "não querem engrandecê-las concedendo entrevistas sobre o assunto". Anti-capitalistas Rehman foi um dos fundadores da Stop the War Coalition (coalizão pelo fim da guerra), uma organização criada para tentar impedir o início da guerra no Iraque, mas que também defende os direitos da comunidade muçulmana na Grã-Bretanha. O ativista, que se diz "marxista e muçulmano", trabalhou para a Anistia Internacional durante dez anos, além de ter integrado o Globalise Resistance (Globalize a Resistência), considerado um dos principais grupos anti-capitalistas. Atualmente, Rehman é assessor político de George Galloway, um parlamentar que foi expulso do Partido Trabalhista do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, por causa de uma polêmica gerada por suas críticas à guerra no Iraque e suas supostas ligações com o governo do ex-presidente Saddam Hussein. Já Yasmin Khan é colaboradora do Radical Activist Network, um grupo formado por "ativistas de movimentos contra a guerra, o racismo e a globalização corporativa", segundo a descrição no site do grupo. Durante uma manifestação realizada na última segunda-feira, anunciada como um evento para lembrar um mês da morte de Jean Charles de Menezes, havia muitos cartazes com críticas ao presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a Tony Blair. Os cartazes – e as palavras de ordem - eram os mesmos utilizados pela Stop the War Coalition durante os protestos anti-capitalistas que antecederam a conferência do G-8 deste ano, na Escócia. 'Apoio mais amplo' Na opinião de um dos integrantes da Autoridade da Polícia Metropolitana de Londres, Murad Qurechi, do Partido Trabalhista, a família de Jean Charles estaria mais bem representada pelas autoridades brasileiras do que pelos dois ativistas. "É assim com os britânicos envolvidos em casos fora do país. Eles sempre são representados pelo governo da Grã-Bretanha", afirmou Qurechi. "Não acho que a família de Jean Charles seja contra a globalização e o conflito no Iraque. Eles só querem justiça – e vão tê-la. Mas acredito que eles nem saibam dessa agenda política dessas pessoas aqui", acrescentou. Qurechi disse não considerar errado o público britânico apoiar a família, "mas este apoio deveria ser muito mais abrangente do que este que eles estão recebendo desse grupo". |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||