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Primo de Jean pede inquérito em carta a premiê britânico | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O primo do eletricista Jean Charles de Menezes, morto pela polícia britânica em julho, entregou nesta segunda-feira às autoridades britânicas uma carta endereçada ao primeiro-ministro, Tony Blair, pedindo que seja aberto um inquérito público sobre a morte. Alessandro participou de um evento perto da residência oficial do primeiro-ministro, em que cerca de 200 pessoas se reuniram para lembrar o primeiro mês após a morte de Jean. "Eu estou pedindo a ele (Tony Blair) que assegure-se de que aqueles responsáveis pela morte de Jean sejam levados à justiça", disse Alessandro por meio de uma nota divulgada no local. Na sede da polícia de Londres, dois representantes do governo brasileiro tiveram uma reunião a portas fechadas com representantes da Scotland Yard e se recusaram a falar com a imprensa sobre o encontro. Na polícia Os dois representantes brasileiros, que chegaram nesta segunda-feira a Londres, são Wagner Gonçalves, subprocurador geral da República e corregedor-geral do Ministério Público Federal, e Márcio Garcia, diretor-adjunto do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional. A embaixada do Brasil na Grã-Bretanha disse que a missão da dupla não é promover uma investigação paralela à que vem sendo conduzida pela Comissão Independente de Queixas sobre a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), mas acompanhar o trabalho que está sendo desenvolvido. Na chegada, Garcia disse que a intenção do grupo é "entender um pouco melhor como o IPCC funciona, qual é a legislação que será aplicada e assim por diante". Segundo um comunicado divulgado pela Scotland Yard, os representantes brasileiros se reuniram com o chefe adjunto da polícia, John Yates. O chefe da polícia, Ian Blair, teria participado de parte da reunião. O comunicado diz que a reunião foi “positiva e construtiva” e que Yates reiterou o pedido de desculpas pela morte de Jean Charles. Os dois brasileiros devem ter um encontro na quarta-feira com o diretor da IPCC, Nick Hardwick. Renúncia Há exatamente um mês, o eletricista foi morto pela polícia britânica dentro da estação de metrô de Stockwell, no sul de Londres. Os policiais o teriam confundido com um possível homem-bomba. A família de Jean e os manifestantes que participaram do evento desta segunda-feira estão pedindo a renúncia de Ian Blair, que comanda a Polícia Metropolitana de Londres, acusando-o de ter mentido e ter escondido informações sobre o ocorrido. Os manifestantes também pediram uma revisão da política de atirar para matar, adotada pela polícia britânica na luta contra supostos extremistas que possam estar tentando realizar atentados na cidade. Na semana passada, uma emissora de TV britânica teve acesso a um relatório interno da polícia que contradizia as informações inicialmente divulgadas pela polícia sobre a morte do eletricista. Pouco após a morte de Jean Charles, a polícia divulgou que ele teria pulado a roleta do metrô e corrido de policiais, mas o relatório desmentiria essa versão. Reclamação Em meio às discussões sobre a morte de Jean, a irmã de uma das vítimas dos atentados de 7 de julho reclamou que os mortos nos ataques estavam sendo deixados de lado. Diana Gorodi, cuja irmã, Michelle Otto, morreu na explosão na estação de Russell Square, disse lamentar a morte do brasileiro, mas afirmou que a crítica “histérica” à polícia mudou o foco sobre a morte de 52 pessoas nos atentados e que “crucificar” Ian Blair não levaria a nada. Gorodi disse que ficaria chateada se a polícia for forçada a mudar sua política de atirar para matar em caso de suspeita de terrorismo. Para ela, esta política faz as pessoas se sentirem mais seguras. |
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