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Ministro da Justiça britânico apóia polícia de Londres | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro da Justiça britânico, Charles Clarke, demonstrou neste sábado seu apoio ao chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Ian Blair, no caso da morte do brasileiro Jean Charles de Menezes. "Estou satisfeito não apenas com a conduta de Ian Blair, mas de toda a Polícia Metropolitana em relação a este inquérito", dise Clarke. A declaração foi feita depois que a família de Menezes pediu a renúncia de Blair por ter dito que o brasileiro - morto erroneamente pela polícia - estava ligado aos atentados de Londres. O chefe da polícia, no entanto, alega que só soube que a vítima era inocente no dia seguinte ao de sua morte, segundo a edição deste domingo do jornal britânico News of the World. Na entrevista, Blair afirmou que, quando descobriu que a polícia havia matado um inocente, ficou "chocado". Neste domingo a Polícia Metropolitana de Londres confirmou que ofereceu à família de Jean Charles de Menezes um pagamento de 15 mil libras (cerca de R$ 66 mil) para cobrir despesas com o funeral e transporte. A oferta foi rejeitada pela família. Incredulidade A advogada que representa a família de Menezes na Grã-Bretanha, Gareth Peirce, expressou "incredulidade" em relação ao fato de que Ian Blair faria declarações sobre o caso, sem antes se informar dos fatos verdadeiros. "Se ele tivesse feito qualquer outra coisa, teria sido negligente ao extemo", disse ela. O eletricista Jean Charles de Menezes foi morto pela polícia britânica no dia 22 de julho, na estação de metrô de Stockwell, depois de ser confundido com um dos suspeitos pelos atentados do dia anterior.
A família também acusa a polícia de não ter feito o suficiente para acabar com a especulação sobre a morte nos dias seguintes ao ataque. Compensação A Polícia Metropolitana de Londres confirmou neste domingo que ofereceu 15 mil libras (cerca de R$ 66 mil) para a família de Jean Charles de Menezes para cobrir os custos com funeral e transporte. Segundo a polícia a única intenção da oferta era apenas um pagamento "de favor", que não afetaria nenhuma outra compensação ou ação legal. Segundo o correspondente da BBC, Patrick Bartlett, a família "reagiu com irritação" à oferta, feita pelo assistente do vice-chefe de polícia, John Yates, em uma visita feita uma semana depois da morte de Jean Charles. A família recusou a oferta da polícia. A carta em inglês da polícia de Londres foi mostrada a jornalistas. No sábado, a polícia de Londres negou ter oferecido à família de Menezes 500 mil libras (cerca de R$ 2,2 milhões) como compensação pela morte do brasileiro, conforme publicou a imprensa britânica. Por meio de uma nota, a polícia britânica afirmou que apenas discutiu a ajuda à família com os custos iniciais. Documentos Documentos da investigação policial vazados para a imprensa no início da semana parecem contradizer as declarações iniciais da polícia e das testemunhas sobre o caso. Na época, a imprensa publicou que a polícia teria dito que "as roupas e o comportamento" de Jean Charles contribuíram para as suspeitas de que ele poderia ser um dos responsáveis pelos atentados. Mas os documentos e as fotografias vazadas mostram o corpo de Menezes logo após ser morto no metrô vestindo apenas uma jaqueta jeans, e não um casaco acolchoado - que poderia ser usado para esconder explosivos - como foi dito na ocasião. O ministro da Justiça disse que "obviamente, a morte de Menezes é uma tragédia terrível, como todos reconhecem, e precisa ser própria e totalmente investigada, o que a Comissão Independente -e eu enfatizo independente - Sobre Queixas contra a Polícia está fazendo". Segundo Charles Clarke, o vazamento das informações sobre o caso "não ajuda" as investigações. Ele também questionou as motivações políticas de quem está por trás dos vazamentos. Em entrevista à BBC neste sábado, Ian Blair se defendeu afirmando que a morte de Jean de Menezes tem que ser posta em contexto. "Trágica como ela é - e nós pedimos desculpas por isso - ela foi uma entre 57 mortes", disse ele, referindo-se às vítimas dos atentados do dia 7 de julho em Londres. 'Prioridade' Também no sábado, Jenny Jones, da Autoridade da Polícia Metropolitana - um orgão independente que avalia o trabalho da força policial de Londres - disse: "Minha preocupação é que mesmo que as informações (sobre roupas e comportamento de Jean de Menezes) não tenham partido da polícia... eles deveriam ter esclarecido". "Deveria ter sido prioridade imediata reconhecer, de alguma forma, que os rumores eram falsos." Segundo Jones, a polícia terá que analisar por que não fez nada para desmentir as informações. Uma comissão do governo brasileiro deve chegar a Londres na próxima semana para se reunir com a Comissão Independente Sobre Queixas Contra a Polícia, para esclarecer o caso. |
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