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Polícia de Londres muda estratégia de 'atirar para matar' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A Scotland Yard (Polícia Metropolitana de Londres) disse neste sábado que mudou a sua estratégia de "atirar para matar". As mudanças ocorreram depois da divulgação de informações que indicam que o brasileiro Jean Charles de Menezes foi morto por policiais apesar de não estar apresentando comportamento suspeito. Lisa Caroll, porta-voz da Scotland Yard, confirmou à BBC Brasil que "a estratégia de atirar para matar para proteger no caso de suspeitos de terrorismo sofreu algumas pequenas mudanças". A porta-voz adicionou que não pode detalhar as mudanças para não alertar quem possa estar envolvido com o que chamou de terrorismo. Lembrança Pouco antes, o chefe da Scotland Yard, Ian Blair, havia pedido que o público não deixasse que a morte de Jean Charles de Menezes ofusque a lembrança da morte de mais de 50 pessoas nos ataques de 7 de julho a Londres. Blair afirmou em entrevista à BBC neste sábado que pediu perdão e assumiu a responsabilidade pela morte de Jean Charles de Menezes, morto por engano a tiros pela polícia no dia 22 de julho, na estação de metrô de Stockwell, em Londres. "Mas não podemos deixar que uma morte trágica pese mais do que todas as outras", acrescentou. Na manhã deste sábado, a Polícia Metropolitana de Londres negou com veemência que tenha oferecido uma indenização de US$ 1 milhão (cerca de R$ 2,45 milhões) para a família de Jean Charles de Menezes. Um jornal britânico alegou que a polícia de Londres havia oferecido US$ 1 milhão à família de Jean Charles e acrescentou que a família do eletricista teria recusado a oferta. Mas a assessoria de imprensa da polícia divulgou uma nota e confirmou à BBC Brasil informações nas quais afirma que "as únicas discussões até o momento com a família de Jean Charles de Menezes foram a respeito de despesas iniciais e rejeitamos qualquer sugestão de que uma soma da ordem de US$ 1 milhão foi oferecida como compensação". Renúncia Na sexta-feira, Alessandro Pereira, primo de Jean Charles de Menezes, pediu a renúncia do chefe da polícia de Londres, Ian Blair, a quem acusou de mentir e tentar esconder informações sobre a morte do brasileiro. “Nós, da família, temos muitas perguntas a fazer. (...) Por que Ian Blair parou a investigação? (...) O que ele tentou esconder? Se não havia nada a esconder, por que a polícia disse à minha família que não haveria uma segunda autópsia?”, disse Pereira em uma declaração lida à imprensa. "Minha família quer a verdade. Em nome de minha família, em nome da população de Londres. Em nome de Jean eu digo que aqueles responsáveis devem renunciar. Ian Blair deve renunciar." Alessandro leu sua mensagem acompanhado por ativistas de direitos humanos que acompanham o caso. Um deles, Asad Rehman - que se identifica como representante do grupo Justice4Jean (ou "Justiça para Jean") -, também sugeriu que Ian Blair deve renunciar ao cargo. Contatada pela BBC Brasil, a assessoria de imprensa da polícia de Londres disse na sexta-feira, que Blair não pensa em renunciar e vem recebendo apoio para permanecer no cargo nas últimas semanas. Documentos Nesta semana, o vazamento de documentos sobre as circunstâncias da morte de Jean Charles mostraram que várias versões iniciais sobre o caso estavam erradas. De acordo com documentos apresentados pelo canal de televisão ITV, o brasileiro não teria corrido da polícia, não estaria usando com um casaco pesado nem teria feito nada de suspeito antes de ser morto. E a Comissão Independente sobre Queixas contra a Polícia (IPCC na sigla em inglês) afirmou que a Scotland Yard "inicialmente resistiu" às tentativas do órgão de lançar a investigação sobre a morte de Jean Charles de Menezes. Em sua entrevista à Rádio 4 da BBC, Ian Blair rejeitou as alegações. "O que gostaria de dizer é que, de todas as alegações feitas nos últimos dias, a que eu gostaria de rejeitar em primeiro lugar é que houve tentativa de encobrimento (do caso)", disse. "Se alguém fosse encobrir um caso, não procederia entregando em mãos cartas para o secretário permanente do Ministério do Interior, o presidente da Autoridade responsável pela Polícia Metropolitana e para o presidente do IPCC", acrescentou. Blair também pediu que a morte do eletricista brasileiro seja colocada em contexto. "A morte de Menezes foi trágica e temos que pedir perdão e assumir a responsabilidade por isso, mas sua morte é uma entre as 57 vítimas", disse Blair se referindo às outras vítimas dos ataques de 7 de julho em Londres. "O contexto é que esta é a maior investigação criminal na história com 52 vítimas inocentes mortas, um número maior de pessoas que tiveram suas vidas devastadas, quatro suicidas mortos e não podemos deixar de uma morte trágica ofusque todas as outras." |
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