BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 18 de agosto, 2005 - 15h14 GMT (12h14 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Revelações mostram diferentes versões sobre caso Jean
Foto: ITV News
Imagem da ITV News mostra o corpo de Jean no vagão do metrô
Documentos e fotos de investigação sigilosa vazados sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes mostram discrepâncias entre a versão inicial da polícia e de testemunhas e dos relatórios revelados.

Os documentos fariam parte da investigação realizada pela Comissão Independente de Queixas sobre a Polícia (IPCC, na sigla em inglês), que se recusa a comentar os fatos enquanto o inquérito continua.

Veja abaixo a comparação dos detalhes divulgados imediatamente depois da morte de Jean Charles, no dia 22 de julho, e aqueles presentes nos documentos sigilosos que vazaram para a imprensa esta semana.

IDENTIFICAÇÃO

Versão inicial

O chefe da Polícia Metropolitana britânica, Ian Blair, disse no dia da morte de Jean que a atitude da polícia "estava diretamente ligada à operação antiterror".

O brasileiro estaria sob observação porque saiu de um prédio em que a polícia acreditava que um homem suspeito dos atentados de 21 de julho em Londres estaria escondido.

O brasileiro foi seguido durante a viagem que fez de ônibus até a estação de metrô de Stockwell, onde um porta-voz da Scotland Yard disse que "sua roupa e seu comportamento" aumentaram ainda mais a suspeita da polícia.

Documentos vazados

Policiais que vigiavam o prédio em que Jean morava acharam que suas descrições batiam com aquelas de um dos suspeitos dos atentados de 21 de julho em Londres, segundo os documentos vazados.

Um dos policiais teria dito que "checou as fotografias" e "achou que seria melhor que mais alguém desse uma olhada". No entanto, ele não conseguiu filmar o brasileiro para que ele fosse propriamente identificado porque ele estava no banheiro no momento exato em que Jean deixou sua casa.

Quando o brasileiro chegou à estação de Stockwell, policiais armados receberam "identificação positiva" de que o homem que eles estavam seguindo era um dos suspeitos.

ROUPAS

Versão inicial

Uma das testemunhas, Mark Whitby, disse que Jean estava vestindo um casaco de inverno, apesar de ser verão, e que poderia estar escondendo alguma coisa sob o casaco.

Outra testemunha afirmou que ele estava com um boné preto e um casaco azul.

A Scotland Yard disse que as roupas usadas pelo brasileiro levantaram mais suspeitas.

Documentos vazados

Os documentos e as imagens divulgados pela TV britânica ITV sugerem que Jean estava vestindo uma jaqueta jeans.

O fato também teria sido confirmado por um membro da equipe de patrulha da polícia que viu o brasileiro entrar no vagão do metrô.

PERSEGUIÇÃO

Versão inicial

Ian Blair disse depois da morte do brasileiro: "Como percebo a situação, o homem foi confrontado e se recusou a obedecer as instruções da polícia".

Uma das testemunhas também disse que Jean saltou a catraca do metrô ao ser perseguido.

Documentos vazados

Imagens do circuito interno de televisão da estação de metrô mostrariam o brasileiro agindo normalmente e pegando um jornal de distribuição gratuita para ler. Ele não teria pulado os bloqueios da estação e só teria corrido após a chegada do metrô na plataforma.

Ele entrou em um vagão do trem, parou, olhou para a esquerda e para a direita e sentou em um banco de frente para a plataforma.

MORTE

Versão inicial

Apesar de a polícia não divulgar detalhes do incidente devido à investigação independente, eles disseram momentos depois do incidente que policiais tinham matado um homem na estação de Stockwell.

No dia seguinte, a Scotland Yard admitiu que Jean havia sido morto por engano e pediu desculpas para a família pela "tragédia".

Ian Blair afirmou que os policiais tentaram dominar Jean Charles antes de atirarem.

Uma testemunha disse ter visto um homem entrar no trem que estava parado na plataforma e pegar um homem que estava sentado. Ao sair do trem, a testemunha ouviu quatro tiros.

Outra testemunha disse que Jean correu para dentro do trem ao ser perseguido por três policiais à paisana. Ele disse que os policiais colocaram o brasileiro no chão e atiraram cinco vezes.

Na abertura do inquérito judicial sobre o caso, a polícia disse que Jean levou sete tiros na cabeça e um no ombro.

Documentos vazados

Em um dos documentos vazados - o que pode ser o relato de um policial à paisana da equipe responsável por patrulhar Londres após os atentados -, o policial, que estaria no mesmo vagão que Jean, diz ter ouvido gritos, incluindo a palavra "polícia".

Segundo o relato, Jean teria levantado e caminhado na direção dos policiais armados.

"Eu agarrei o homem da jaqueta jeans colocando meus dois braços ao redor de seu tronco, prendendo seus braços na lateral."

Ele afirmou ter colocado Jean de volta no assento do vagão. Depois de tê-lo mobilizado, ele ouviu um tiro.

Os documentos dizem que a autópsia do corpo de Jean mostra que ele levou sete tiros na cabeça e um no ombro, mas que três outras balas foram disparadas, mas não atingiram o brasileiro.

TRAJETÓRIA DE JEAN

News image

66Caso Jean
Relembre a cronologia dos fatos desde a morte do brasileiro.
66Especial
As últimas notícias sobre as explosões em Londres.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade