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Diplomata diz que acredita na polícia no caso Jean | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O diplomata brasileiro Manoel Gomes Pereira disse nesta terça-feira que não tem motivos para acreditar que a polícia britânica escondeu fatos relacionados à morte do eletricista Jean Charles de Menezes. Pereira, diretor do Departamento de Brasileiros Residentes no Exterior do Itamaraty, integra a comissão que busca em Londres esclarecimentos sobre o caso. Em uma entrevista coletiva em Londres com o diretor-adjunto do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional do Ministério da Justiça, Márcio Garcia, e o subprocurador-geral da República e corregedor-geral do Ministério Público Federal, Wagner Gonçalves, Pereira disse que “estamos trabalhando com eles (os policiais) e até agora não temos qualquer motivo para pensar isso”. Ele afirmou ainda que a comissão, no momento, pensa apenas na possibilidade de um inquérito normal. “O IPCC é (um órgão) independente e nós confiamos completamente nos seus métodos”, disse o diplomata. Gonçalves também disse que não se pode acusar a polícia metropolitana de ter abafado o caso. "Até agora nós não podemos falar que há suspeita de abafamento, porque, se houvesse realmente abafamento, esse controle (das investigações) estaria com a polícia metropolitana e não está. Foi para esse órgão (IPCC), que é independente." “Estamos analisando especificamente a legislação aplicada neste caso. Por exemplo: quais são as regras para os legistas, o que para nós é algo novo. Queremos entender melhor como tudo funciona”, acrescentou Márcio Garcia. Esta missão, que volta ao Brasil nesta sexta-feira, é apenas a primeira de outras que virão para acompanhar o caso, segundo Gonçalves. "Este é um primeiro contato, nós queremos entender o sistema. Esta não será a única missão. Virão outras, com outras pessoas para acompanhar isso. Queremos entender esse sistema e fazer um acompanhamento para que não haja impunidade", afirmou Gonçalves. Coincidência Pereira afirmou que a vinda dos representantes para Londres, dias depois do vazamento de documentos com informações que contradiziam a versão inicial da polícia a respeito da morte de Jean Charles de Menezes, foi apenas uma coincidência. “Há cerca de dez dias, nós pedimos autorização ao governo britânico para vir para cá e ele autorizou nossa vinda antes deste fato”, disse. A respeito do conteúdo dos documentos, Pereira reiterou a visão do Ministério do Exterior brasileiro. “Ficamos perplexos. Divulgamos uma nota na quarta-feira da semana passada em que afirmamos que estávamos perplexos e tentando encontrar alguma explicação para os fatos, para a nova informação que foi vazada”, disse. Pereira também comentou a reunião dos representantes brasileiros com o chefe adjunto da polícia de Londres, John Yates. “Yates nos deu informações a respeito das circunstâncias da morte (de Jean Charles de Menezes) e sobre o trabalho da polícia. No momento, toda a informação foi transferida para o IPCC”, disse. “Segundo o senhor Yates, uma hora depois do incidente eles enviaram uma comunicação para o IPCC, eles foram informados desde o início. Pela conversa que tivemos ontem, concluímos que esta é a lei, eles (a polícia) precisam fazer desta forma”, disse Márcio Garcia. “A razão para o atraso de quase 72 horas estava ligado às suspeitas que existiam (em relação à Jean) com base na legislação antiterrorismo. Depois, todos os dados da investigação foram enviados para o IPCC, todas as provas estão com o IPCC e não tivemos a chance de conversar com eles”, acrescentou Garcia. Órgão novo Para Garcia, um aspecto importante é que o IPCC é um órgão novo. “Se eu estou certo, o IPCC é uma instituição nova, trabalhou em cinco ou seis casos e seu trabalho se desenvolve conforme é executado. A entrevista com eles (IPCC) será muito importante para nós”, afirmou Garcia. Gonçalves também afirmou que na reunião com o IPCC, marcada para a tarde desta quarta-feira, a missão brasileira pedirá acesso às imagens do circuito de câmeras da estação de metrô de Stockwell do dia da morte de Jean Charles. Pereira afirmou que o governo brasileiro foi informado da visita de John Yates à família de Jean Charles de Menezes no Brasil, para oferecer 15 mil libras (cerca de R$ 65 mil). “O que me comunicaram é que foi um pagamento de favor, feito para o primeiro período imediatamente depois da morte (de Jean Charles de Menezes)”, disse. “Nós recebemos uma nota da Polícia Metropolitana que afirmava que era apenas uma primeira ajuda e não se tratava de compensação à família, eles (a família de Jean Charles) não estão proibidos de procurar seus direitos na Justiça”, acrescentou Márcio Garcia. |
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