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Atualizado às: 25 de agosto, 2005 - 22h04 GMT (19h04 Brasília)
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Arábicas: Perder a casa é sempre triste

Soldados de Israel retiram um colono de assentamento em Gaza
Soldados de Israel retiram um colono de assentamento em Gaza
Vi na Faixa de Gaza nos últimos dias muitos colonos judeus chorando e se debatendo quando perdiam as casas que tinham construído.

Nesta e em outras viagens também conheci muitos palestinos que nas últimas décadas vêem suas casas tomadas ou destruídas.

Também já conheci iraquianos que perderam as casas para bombas americanas e gente que as viu levadas pela água ou por desmoronamentos nas favelas do Brasil e do Haiti.

Ver gente perdendo ou que perdeu a casa é sempre triste, independentemente das razões que levaram a isso.

Pode-se argumentar que muitas vítimas devem levar parte da culpa: pobres que fizeram suas casas em “áreas de risco” ou judeus que construíram casas em terras que as lei internacionais não reconheciam, por exemplo.

Os colonos judeus foram instruídos e incentivados por seus líderes – religiosos e políticos, inclusive Ariel Sharon – a se instalarem nas terras ocupadas na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Terras bíblicas

Os religiosos foram por acreditarem que conquistar todo o território bíblico de Israel é uma missão dada por Deus ao povo judeu.

Os seculares, preocupados com a segurança do Estado de Israel, atacado anteriormente pelos vizinhos árabes, estavam interessados em reforçar o domínio israelense sobre os territórios ocupados – como a Faixa de Gaza e a Cisjordânia –, por meio de uma ocupação que não fosse militar.

Do ponto de vista religioso ortodoxo abandonar terras bíblicas é algo em direto desrespeito a determinações divinas. Foi por isso que deste grupo partiu a mais forte resistência à retirada.

Para muitos seculares que apoiaram o plano, a idéia de ocupar Gaza com civis israelenses era uma caso perdido.

Apesar de todos os incentivos, só 8,5 mil colonos tinham atendido ao chamado do governo em quase 40 anos e viviam isolados – por cercas e vigilância constante do Exército – dos cerca de 1,5 milhão de palestinos do território.

Com a retirada, todos vão ganhar boas indenizações do governo e, muitos deles, casas prontas em outras áreas do país.

Situação diferente de palestinos, brasileiros ou haitianos, que, quando não têm mais onde morar, acabam abandonados à própria sorte.

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