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Arábicas: Conservadorismo islâmico agrada sociedade | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Aqui no Egito, as mulheres não são obrigadas a sair à rua com um véu cobrindo os cabelos, mas a maioria usa a tradicional peça. Muitas delas cobrindo apenas o cabelo ou o pescoço, mas é comum ver mulheres apenas com os olhos aparecendo. São muitos os motivos que levam à escolha da roupa: é verdade que pode ser pressão do governo, da sociedade ou da família, mas também pode ser uma opção consciente baseada numa religiosidade sincera ou num simples hábito. Mas o que fica claro é que nem tudo o que muitas vezes no Ocidente é visto como “autoritário” é imposto pelos governos árabes a uma população oprimida. Em muitos casos, o conservadorismo e a imposição de regras baseadas na religião encontram grande apoio – ou pelo menos uma aprovação indiferente - na população, principalmente nas classes mais baixas. Reformistas No Egito, por exemplo, o governo é muito mais secular do que o egípcio comum. No caso do Irã, muitos observadores internacionais passaram a basear suas previsões e cenários na idéia de que o desejo por reformas liberalizantes estaria espalhado amplamente pela população e apenas contido pelas autoridades religiosas. No entanto, a grande derrota sofrida pelos reformistas – que nem chegaram ao segundo turno – e vitória do ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad sugerem que a maioria dos iranianos aprova, ou pelo menos não se incomoda, com as restrições sociais defendidas pelos conservadores. Relatos vindos do Irã durante estes oito anos do governo Khatami mostram uma sociedade mais relaxada entre a classe média que vive nas grandes cidades. Muitas garotas em Teerã usam o véu só até a metade da cabeça e jovens promovem discretamente festas “à Ocidental”, com bebidas alcoólicas e uma atitude mais liberal em relação ao sexo. Entre as classes mais baixas, no entanto, falou mais alto o discurso econômico de Ahmadinejad, com suas promessas de distribuição de riquezas. Desejo Grande parte destas famílias mais humildes continuaria seguindo as estritas regras de conduta ditadas pelos religiosos mesmo que os políticos reformistas conseguissem mudar as leis que tratam do assunto. O Irã sempre foi um buraco negro para analistas ocidentais que nunca entenderam direito o que acontece neste importante país persa. A Revolução Islâmica que em 1979 derrubou o xá Mohammad Reza Pahlevi chegou como uma surpresa para os governos estrangeiros que praticamente não foram advertidos por seus serviços de inteligência e embaixadas do que estava para ocorrer. Nas eleições deste ano, mais uma vez aconteceu coisa semelhante: os reformistas não passaram do primeiro turno e o no segundo o favorito Rafsanjani foi batido pelo azarão Ahmadinejad, contrariando ponto a ponto tudo o que previam os analistas. Ao que tudo indica, o desejo de mudanças no Irã era maior entre estes analistas do que entre os eleitores que tomaram a decisão pelo conservadorismo. |
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