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Visita de Rumsfeld é vista como preocupação com Chávez | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, aproxima-se do Paraguai e do Peru de olho na maior presença do presidente venezuelano, Hugo Chávez, na região. Em uma visita de 20 horas encerrada nesta quarta-feira, Rumsfeld reuniu-se com o presidente do Paraguai, Nicanor Duarte Frutos, e com o ministro da Defesa, Roberto González. Oficialmente, o combate ao terrorismo e ao narcotráfico, além do treinamento de militares paraguaios, foram os principais temas dos encontros, que incluíram acordos na área de defesa. Assessores do governo de Duarte Frutos e da embaixada americana em Assunção negaram as versões de que a chegada do secretário americano serviria ainda para acelerar a instalação de uma base militar no Paraguai, para fiscalizar o Mercosul. Visita surpresa A visita surpresa, como foi definida pela imprensa paraguaia, ocorreu menos de cinco meses depois que Rumsfeld esteve na Argentina, no Brasil e na Guatemala. De acordo com a imprensa e analistas paraguaios, a chegada de Rumsfeld – dias depois que Chávez esteve no Uruguai, na Argentina e no Brasil – confirma a preocupação dos Estados Unidos com a maior influência do líder venezuelano na região. Também oficialmente, a mesma agenda de combate ao terrorismo e ao narcotráfico está programada para a visita de Rumsfeld a Lima, onde ele desembarcou no fim da tarde desta quarta-feira. Na viagem de dois dias à capital peruana, ele se reunirá com o presidente Alejandro Toledo e autoridades da área de defesa. Ouvidos pela BBC Brasil, o analista paraguaio Francisco Capli, da consultoria First Análisis y Estudios, de Assunção, e o peruano Carlos Aquino Rodríguez, professor de economia da Universidade de San Marcos, de Lima, concordaram que a visita de Rumsfeld simboliza a maior aproximação do governo americano com países da região e, ao mesmo tempo, a preocupação com Chávez – e, em menor medida, nesse momento, com o presidente de Cuba, Fidel Castro. “Os Estados Unidos tinham esquecido da América Latina porque a prioridade era a guerra em outro lado do mundo (Iraque). Ao mesmo tempo, Chávez está visitando todos os países da região, fazendo política muito ativa por aqui”, disse Capli. Ele lembrou que o Paraguai passou a comprar, nos últimos tempos, petróleo venezuelano, a preços mais baratos e com 20 anos de prazo para pagar. O analista paraguaio destacou ainda que a visita de Rumsfeld à capital do país foi vista “com ótimos olhos”, já que inclui o país “no mapa mundi” dos investimentos e maior comércio com os Estados Unidos. O presidente Nicanor Duarte Frutos, destacou o analista, aproveitou e pediu maior abertura de mercado para produtos paraguaios, como carne e açúcar. O professor peruano lembrou que o secretário do governo americano chega ao Peru num momento de crise política interna, um dia depois que Toledo deu posse a seu novo ministério e faltando menos de um ano para as eleições presidenciais, marcadas para abril de 2006. Rodríguez recordou ainda que Toledo apoiou, publicamente, a tentativa de expulsar Chávez do poder, em 2003, e, pela primeira vez, levou o país a se abster pela primeira vez na votação sobre direitos humanos de Cuba. “Mas tudo isso é passado. É preciso ver como a relação com os Estados Unidos será daqui para diante. Até porque falta pouco para as eleições presidenciais”, disse ele. |
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