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Atualizado às: 01 de julho, 2005 - 22h01 GMT (19h01 Brasília)
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Chávez investe em estratégia de oposição aos EUA

Chávez
Chávez quer mostrar força de oposição aos Estados Unidos
A alta no preço do petróleo está beneficiando a estratégia do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de garantir o apoio da região e colocar-se, cada vez mais, em oposição aos Estados Unidos – chamado por ele, incessantemente, de "Império".

Nesta semana, Chávez lançou o projeto da PetroCaribe, durante reunião com presidentes, entre eles o cubano Fidel Castro, e ministros dos 15 países caribenhos.

A idéia de Chávez é que a nova petroleira integre fisicamente essa região, com a criação de um fundo, com dinheiro venezuelano, de US$ 50 milhões que financiará as necessidades petroleiras do Caribe.

Se o preço do petróleo superar a barreira dos US$ 50, como ocorre agora, a Venezuela vai financiar 40% deste gasto petroleiro. E se passar dos US$ 100, o financiamento subirá para 50%.

Como lembrou o profesor de ciências políticas Diego Bautista Urbaneja, da Universidade Central da Venezuela, três semanas atrás o governo Chávez comprou US$ 500 milhões em novos títulos públicos argentinos, emitidos para substituir os que tinham caído na moratória.

Mais barato do que água

Para ele, a PetroCaribe, a compra destes títulos e a chegada de 15 mil médicos cubanos para trabalhar no país fazem parte da estratégia oficial para "influenciar" a região e ser o diferencial frente aos Estados Unidos.

País de 25 milhões de habitantes, com a economia em crescimento, a Venezuela possui a primeira ou segunda – dependendo das estatísticas utilizadas – reserva de petróleo do mundo.

Tamanha abundância permite que o preço do litro da gasolina no país saia mais barato do que uma garrafa de água nos supermercados.

Diante da proposta de criação da PetroCaribe, Fidel Castro disse não existirem "homens mais generosos do que Hugo Chávez".

Fidel
Fidel elogiou a "generosidade" de Chávez

A PetroCaribe pretende ser a alavanca, como disse o presidente venezuelano, da Alba-Caribe (nome que inventou como alternativa à Alca – Área de Livre Comércio das Américas) e um passo decisivo, classificou, para a integração energética da região.

Para analistas e integrantes do próprio governo, como o embaixador da Venezuela nos Estados Unidos, Bernardo Álvarez, a medida é econômica mas, principalmente, política.

"A PetroCaribe e outras medidas do governo tentam equilibrar o mundo de hoje. Tudo isso rompe os esquemas atuais, em um mundo não apenas hegemônico, mas que também já não tem mais nada para oferecer."

Na sua opinião, é por apresentar o "novo" em uma situação de "emergência" que a Venezuela vem sendo taxada, na sua opinião por conservadores, de "ameaça".

Quando perguntado se a ajuda petroleira da Venzuela aos caribenhos poderia ser revertida em votos de apoio ao governo venezuelano, por exemplo, na Organização dos Estados Americanos (OEA), ele disse apenas "sim".

Pagamento

Por sua vez, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Alí Rodríguez Arague, disse que a meta de Chávez é facilitar o pagamento, para os caribenhos, dentro de uma escala de preços.

"O financiamento pode chegar até a mais de 25 anos e em alguns casos com apenas 1% de taxas de juros anuais. É muito vantajoso para os países. Eles vão ficar aliviados com o asfixiante problema dos precos do petróleo e isso vai lhes ajudar a melhorar as condições econômicas atuais".

O embaixador da Venezuela nos Estados Unidos tem como um dos objetivos mostrar "uma cara nova frente aos Estados Unidos e ao mundo que até aqui conhecíamos, que é de exclusão social".

Na opinião de Bernardo Álvarez, um continente mais fortalecido – através da Comunidade Sul-Americana de Nações – será mais capaz de negociar com os Estados Unidos.

Mas ele reconhece que, ao mesmo tempo, a relação comercial e de energia com o governo americano vem crescendo (atualmente, 15% dos combustíveis consumidos nos Estados Unidos são importados da Venezuela).

"O que queremos é respeito mútuo e conviver com as diferenças. Precisamos de uma nova organização regional e que nos permita negociar, em condições de igualdade, nao só com os Estados Unidos, mas com o mundo inteiro”.

Quando indagado sobre a PetroCaribe, o embaixador dos Estados Unidos na Venezuela, Willian Brownfield, disse achar "que cada país tem capacidade para discutir o que é do seu interesse nacional".

"Já que não participamos do evento e da organização, não posso dar mais opinião sobre isso. Mas se nos convidarem a participar, aí poderemos opinar", disse.

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