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O colchão do José | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O governo americano levanta a cerca, os vigilantes minute-men patrulham a fronteira, os consulados negam vistos, os conservadores querem expulsá-los mas o José não pára de chegar. Nos Estados Unidos os ilegais talvez já sejam 20 milhões e não onze, segundo estudo do Institute Pew, um dos mais confiáveis dos Estados Unidos. Eles já representam metade dos agricultores, um quarto dos empregados na produção de carne e galinha, um quarto dos lavadores de pratos e dos pedreiros. Uma lei de 1986 proíbe e multa empregadores que contratam ilegais, mas ano passado o Serviço de Imigração só processou três empresas. Número de identificação As leis e a sociedade são esquizofrênicas. No Estado de New Hampshire um chefe de polícia municipal prende ilegais a esmo. No nível federal, uma lei proíbe contratar ilegais, mas o Banco Central emite o TIN, Tax Identification Number, um número de identificação de quem paga impostos, mesmo que seja um imigrante ilegal. Para negócios é um documento útil. Mais comum é a Matrícula Consular, emitida por vários consulados. Bancos, seguradoras, imobiliárias, financeiras e 391 governos municipais já aceitam as matrículas como documentos. O Wells Fargo foi um dos primeiros bancos a descobrir o filão dos ilegais matriculados. Já tem 625 mil contas que representam 6% dos clientes. Hoje abre 800 contas de ilegais por dia em 23 estados. São tantos bilhões saindo da economia informal para a formal que podem pesar no Produto Nacional Bruto americano. Só na área imobiliária representam um potencial de 60 bilhões de dólares nos próximos cinco anos. Atentados terroristas como os de Londres reforçam movimentos contra imigrantes, legais ou ilegais, mas o Colchão do José é irresistível. |
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