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Teto neles | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Eddie Wise é um homem frágil mas já foi preso 52 vezes e condenado 29 pelos tribunais de Nova York. Vivia entrando e saindo da prisão pelo crime de pedir esmola. Semana passada uma juíza mandou libertar Eddie e todos presos na cidade por mendicância e proibiu a polícia de fazer novas prisões com base numa lei aprovada há 13 anos, já considerada inconstitucional. Em geral os dois grupos, mendigos e sem teto, são ignorados pelos políticos. Há séculos eles incomodam os novaquiorquinos mas raramente os problemas deles despertam interesse dos eleitores. São incômodos, mas não o suficiente para dar votos. Agora o prefeito bilionário Mike Bloomberg decidiu dar teto aos pobres. Não se trata de um gesto. Para ele, um homem de negócios, é uma questão de orçamento. Quando Bloomberg tomou posse, logo depois do 11 de setembro a cidade tinha pouco mais de 5 mil famílias sem teto. Este ano são mais de dez mil e cada família custa à cidade 2.100 dólares por mês. Há outros milhares que não conseguem receber um centavo. Muitos vão para as ruas pedir esmolas. A solução do prefeito é oferecer incentivos ou, em alguns casos, aprovar leis que obriguem os novos prédios a reservar de 20 a 40 por cento dos apartamentos para moradores de baixa renda. Em troca as empresas construtoras terão impostos reduzidos ou poderão construir prédios maiores do que a lei atual permite. A meta é tirar dois terços das famílias dos abrigos da cidade e transformá-los em proprietários num prazo de 5 anos. Para um problema crônico que já dura 4 séculos parece mais uma promessa de político mas este prefeito já surpreendeu com resultados que pareciam impossíveis na educação. Está com com a mão na massa. Teto neles. |
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