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Gargantas secas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Garganta Profunda, herói ou canalha? Ele era o segundo homem na hierarquia do FBI e denunciou anonimamente os seus superiores para salvar o país de um governo sem princípios? Ou foi uma vingança por não conseguir o comando do FBI? Para maioria dos americanos Mark Felt é um herói. Para homens ligados ao presidente Nixon e milhões de conservadores, ele foi um canalha vingativo. Graças ao Garganta Profunda, um presidente renunciou, o primeiro e único na história americana, e 40 pessoas foram para a prisão. A outra dúvida sobre a preciosa fonte do escândalo que derrubou Nixon é por que ele decidiu revelar agora a sua identidade, um dos segredos mais bem guardados durante 33 anos. Pelo acordo entre ele e os jornalistas, o nome só seria revelado depois da sua morte. Foi um desejo de reconhecimento aos 91 anos, frágil e cada vez mais sem memória? Ou foi a ganância de uma das filhas, invejosa da glória e principalmente dos dólares dos jornalistas Bob Woodward e Carl Bernstein, que graças ao pai, levantaram o escândalo dos abusos da Casa Branca de Nixon? Neste governo Bush, as gargantas estão cada vez mais secas. Intimidada por diferentes crises de credibilidade no New York Times, na rede CBS e na revista Newsweek, a grande imprensa americana eliminou ou arrochou o uso de fontes anônimas. Só no jornal USA Today, em um ano, a redução foi de 75%. A perda de credibilidade da imprensa não significa ganho de confiança no governo. Estamos vivendo um momento que não é inédito, mas é raro, em que ambos, governo e imprensa, estão com as gargantas atravessadas. |
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