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Atualizado às: 17 de maio, 2005 - 10h27 GMT (07h27 Brasília)
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Cannes de pai para filho
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Depois de Guerra nas Estrelas e com outro dia de chuva, Cannes se dedica mais aos filmes e menos às festas.

Pelas medidas dos especialistas, em termos de vendas, este festival ainda está morno. Até agora, para os distribuidores, nenhum filme cai na categoria dos quentes, nem Batalla en el Cielo ("Guerra no Céu"), do mexicano Carlos Reygadas, rico em batalhas eróticas.

Enquanto no resto do mundo a Palma de Ouro continua sendo o prêmio de maior prestígio no cinema, nos Estados Unidos, em termos comerciais, ela não chega perto do Oscar.

Para a maioria dos americanos, a Palma está associada a filme estrangeiro lento, longo e complicado. Poucos conseguem exibição fora do circuito dos cinemas de arte em Nova York e meia dúzia de cidades americanas, além das universidades.

Sul-coreanos e brasileiros

Match Point, de Woody Allen, filmado em Londres, surpreendeu os críticos, em especial os nova-iorquinos que andavam decepcionados com os últimos filmes do diretor. Bom de crítica, mas até agora não conseguiu quem pagasse os US$ 7 milhões que seus produtores estão pedindo.

Os compradores americanos buscam pechinchas, os franceses são os mais agressivos, os ingleses os mais frios e os japoneses perseguem os filmes sul-coreanos que há dez anos estavam fora de cena e agora são uma revelação.

Eles têm um filme disputando a Palma e outros cinco exibidos fora da competição. Independente da nacionalidade, sempre há mercado para os filmes de terror.

Entre os diretores brasileiros, os que aparecem com mais destaque são Bruno Barreto, Marcelo Gomes e o documentarista Vicente Ferraz, mas a categoria que mais me interessa é a dos curta-metragens feitos por estudantes.

Há 18 disputando o prêmio de 30 mil euros, entre eles dois filmes brasileiros, Lençol Branco e Compre Agora.

Lençol Branco conta a história de uma mãe suburbana que dorme, sufoca e mata seu bebê enquanto amamentava. É dirigido por Juliana Rojas e Marco Dutra, da USP.

Compre Agora é a história de uma nova-iorquina de 16 anos que vende a virgindade pela internet. O fato é verdadeiro, mas o filme de 30 minutos é uma ficção do gringo mineiro Antonio Campos, da New York University, para quem torço de pai para filho.

66Arquivo - Lucas
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