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Sem palavras | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Quem acredita nos noticiários das TVs locais de Nova York e nos tablóides acha que mora na capital do crime do fogo e que neste momento as três pessoas mais importantes do universo são Michael Jackson, Brad Pitt e Angelina Jolie. A notícia de que o crime teve outra grande queda em Nova York não mereceu destaque, embora tenha sido mais uma redução recordista. Em todas as categorias de crimes sérios, Nova York hoje é uma das cidades mais seguras do mundo. Houve 540 homicídios em 2004, sete assassinatos por cada 100 mil habitantes. Em Los Angeles e Chicago este número dobra e em Detroit é seis vezes maior. Clique aqui para ouvir essa crônica na voz de Lucas Mendes É uma segurança real. Ruas e parques de Nova York que há dez anos estavam desertos à noite hoje estão povoados e os apartamentos das vizinhanças valem pequenas fortunas. Isso não impede que a primeira notícia em todas estações locais seja sobre uma turista ferida a bala quando passava perto de uma disputa entre assaltantes e assaltado. Essa imprensa, com tanto apetite para crime não sabe como lidar com uma das mortes mais brutais dos últimos tempos. Há dez dias, no bairro do Brooklyn, por causa de uma bola, uma menina de 9 anos matou a amiga de 11, com uma facada no coração. Pela descrição dos vizinhos e amigos, a vítima era um doce e a que matou tinha temperamento explosivo, mas a facada era impensável. O jornal que deu algum destaque ao crime e continua na cobertura é o New York Times, mais famoso pela sua discrição sobre notícias com sangue. Nos Estados Unidos, em média anual, seis criancas com menos de 10 anos matam, por acidente ou de propósito, mas são crimes que não viram manchetes nem abrem os noticiários das TVs. Ninguém sabe o que dizer. |
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