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Policeglota | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Quatro policiais de Nova York passam o dia no computador trocando e-mails em árabe com pessoas que detestam os Estados Unidos. Fazem parte de uma nova divisão de lingüistas da polícia em busca de terroristas em potencial. A campanha de recrutamento de intérpretes pelo FBI depois do 11 de Setembro nas comunidades que falam árabe não foi bem sucedida porque as pessoas se sentiram intimidadas e com razão. Milhares estavam sendo presos, interrogados ou deportados só por causa das origens. Naquela época a polícia de Nova York procurou poliglotas dentro do próprio departamento. Entre quase 50 mil funcionários, dos quais 37 mil policiais, apareceram mais de 4 mil que falavam pelo menos uma língua além do inglês. Para grande surpresa, o idioma mais popular na polícia de Nova York é o francês. Em seguida estão o chinês, hindi, russo, alemão, grego, urdu, polonês, bengali e em décimo lugar, aparece nosso português, falado por 122 policiais. O árabe vem logo em 11. Para combater o terror nossa língua é inútil. Perguntei à polícia se algum dos 122 que falam português é brasileiro de nascimento ou naturalizado e a resposta foi negativa. Eu tenho certeza que a polícia está enganada mas minha insistência foi rechaçada sem muita paciência. Polícia é polícia e a de Nova York é cada vez menos branca e mais estrangeira. Até pela foto de formatura de 1.600 policiais de Nova York esta semana é fácil perceber as cores e os traços. Pela primeira vez desde a criação da polícia da cidade a maioria dos formandos são minorias e não são italianos nem irlandeses. Os números que mais crescem são de latinos, negros e orientais Nova York, cada vez mais babel tem cada vez menos problemas entre a polícia e as minorias. |
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