|
Cadillac de Pobre | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Só duas vezes na vida eu tive vontade de ter um Cadillac. A primeira foi numa tarde de setembro em 69. Estava esperando um ônibus na esquina da Segunda Avenida quando um Cadillac preto bateu de leve num carro parado à espera da luz verde. Culpado, o motorista do Cadillac tentou escapar. Na fuga, bateu em outros carros. Quando ficou bloqueado na avenida subiu na calçada, atropelou várias pessoas, derrubou sinais de ônibus e placas de trânsito. O motorista quase foi linchado mas o carro do canalha estava inteiro. O Cadillac é um tanque de guerra. A segunda vez que desejei um Cadillac foi na semana passada. Fui até ver o carro na revendedora. O modelo se chama CTS. É um carro pequeno, do tamanho de um Saab, confortável como uma sala de música com poltronas de couro. Por fora, em especial a frente, é de uma cafonice digna do maior dos cafetões. A grande tentação é o preço. Ameaçada até de falência, a GM está vendendo carros pelo mesmo preço que vende para seus empregados. O lease é bem mais barato do que pago hoje por um Jeep. A reação na família e entre amigos foi unânime contra o Cadillac . É carro de mafioso, traficante ou republicano velho e rico. Apesar da reputação, 250 mil americanos compraram Cadillacs em 2004. Na Europa e no Japão a GM não consegue vender nem dois mil carros por ano mas os chineses estão comprando quase 500 modelos do CTS por mês. Já está sendo exportado em kits e montado na China onde a GM planeja abrir uma fábrica. O argumento chinês não comoveu amigos nem parentes. Nem quando ameacei comprar um coreano barato. Entre dois cafonas, preferem o oriental. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||