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Justica Divina no Mississipi? | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Há 41 anos, Andre Goodman, um jovem nova-iorquino, escreveu para os pais: "Meus queridos. Cheguei bem em Meridian, no Misissipi. A cidade é maravilhosa, o tempo está ótimo. Gostaria que vocês estivessem aqui comigo. O povo da cidade é adorável e nos recebeu muito bem. Todo meu amor, Andy". Naquela noite, ele e mais dois jovens foram perseguidos, encurralados e assassinados pela Ku Klux Klan. Estavam no sul participando de uma mobilização para registrar os eleitores negros. Os corpos, enterrados perto de um açude, foram encontrados depois de uma maciça busca de 44 dias pelo FBI. A história ganhou dimensão nacional, expôs as violências raciais no sul e ajudou a aprovar o Ato dos Direitos Civis de 64, um dos documentos mais revolucionários do congresso americano no século 20. O Estado do Mississipi não fez nada sobre os crimes, mas o governo federal, três anos depois, prendeu e julgou 18 membros da Ku Klux Klan sob a acusação de violar os direitos humanos das vítimas. Um júri só de brancos condenou sete dos acusados. Nenhum deles passou mais do que seis anos na prisão e Edgard Ray Killen, considerado o mentor e organizador do crime, foi absolvido porque um dos membros do júri disse que jamais poderia mandar um pastor para a penitenciária. Na época do crime, Ray Killen trabalhava numa serraria e dava meio expediente na igreja batista. Ele sempre negou o crime, mas um promotor que acredita na justiça que tarda mas não falha reabriu o caso em janeiro deste ano e mandou prender Killen pelos assasssinatos dos três jovens. Aos 80 anos, ele está doente e frágil numa cadeira de rodas. O veredicto pode sair nas próximas horas. Por coincidência, talvez divina, dia do aniversário do crime. Se for culpado, Killen vai passar o resto da vida na prisão. |
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