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Atualizado às: 04 de julho, 2005 - 09h44 GMT (06h44 Brasília)
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Os britânicos e as férias
Ivan Lessa
Eu como todo mundo por aqui já planejei e marquei minhas férias. Monótono e sem graça que sou, vou de novo para Portugal, Cascais, logo ali no Estoril.

Três semaninhas. Peixes, doces à base de ovos, melão, se este ano estiverem bons, e ficar à beira ou dentro da piscina.

Apesar de ter mais de um quarto de século de Grã-Bretanha, e tendo me afeiçoado e até mesmo imitado certos costumes locais, não pretendo, no entanto, tomar porre após porre, prevaricar adoidado ou sair na mão ao menor pretexto.

É isso aí. Certos hábitos, a gente não consegue deixar. Principalmente depois de velho.

Farra

Digo isso, porque fiquei sabendo, ainda agorinha, que bebida, sexo e porrada são o que os jovens britânicos buscam em suas férias.

Nada a ver em experimentar outras culturas, dar uma chegadinha a um museu, provar dos quitutes locais, fazer passeios recomendados pelo guia adquirido três meses antes do vôo charter.

Segundo eficientes e sóbrios funcionários de meia-idade, no mínimo, do Ministério do Exterior britânico, os jovens partem para o estrangeiro de férias para cair na farra para valer e fazer tudo em excesso.

Os zelosos servidores públicos chegaram mesmo a identificar as regiões do país que mais distúrbios provocam.

A rapaziada mais exaltada, mais dopada, mais sexualmente voraz vem lá do oeste dos Midlands – a região central da Grã-Bretanha.

A mais sóbria, a que mais se aproxima de uma normalidade a que se poderia chamar de razoavelmente civilizada, é a turma do sudoeste.

A pesquisa tem 79 páginas, custou perto de US$ 90 mil aos contribuintes e só foi divulgada graças à lei que rege a liberdade e o acesso às mais diversas informações.

Antes, toda Grã-Bretanha sabia, o mundo sofria, principalmente a Espanha da sangria e da tourada, mas não se afirmava nada.

Contava-se que virasse lenda urbana. Ou interurbana. Algo assim.

Agora, a coisa mudou de figura. Virou fato o que as fotos sugeriam: mais de 30% dos britânicos, entre os 16 e os 30 anos, responderam altivos a quem fez a sondagem: "Sim, nós queremos beber ao máximo além de…" Além daquilo que já se mencionou aqui.

O ministério responsável pela pesquisa, na introdução, emprega a palavra "hedonismo". Eu gostaria de saber a percentagem de jovens que conhece ao menos de vista o termo ou pensa que é um vício horrendo do qual padecem apenas franceses e espanhóis.

66Arquivo - Ivan
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