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Atualizado às: 10 de junho, 2005 - 18h05 GMT (15h05 Brasília)
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Oposição quer anúncio de eleições na Bolívia na semana que vem

O novo presidente da Bolívia, Eduardo Rodríguez
O novo presidente da Bolívia, Eduardo Rodríguez
A posse do presidente interino da Bolívia, Eduardo Rodríguez, reduziu o nível de tensão no país, mas alguns líderes dos manifestantes, reunidos nesta sexta-feira, decidiram lhe dar poucos dias de trégua.

Os líderes querem que ele anuncie, já na semana que vem, a convocação das eleições gerais, que seriam realizadas até dezembro.

"Nós vamos suspender os protestos, gradativamente, porque os camponeses precisam voltar a trabalhar para viver. Mas vamos dar a Rodríguez dez dias de prazo para anunciar o pleito geral ou voltaremos a bloquear as estradas", ameaçou o líder dos camponeses, Roman Loayza, que representa os indígenas de Santa Cruz de la Sierra, Tarija, Cochabamba e outras localidades.

Nesta sexta-feira, eles mantinham a ocupação, como informou Loayza, de sete poços de gás do país, dificultando o abastecimento nas cidades de La Paz e El Alto. Já está faltando gás nos hospitais e no comércio, e há filas para obter botijão de cozinha.

"Vamos decidir, ainda hoje, se desativamos esse protesto (ocupação dos poços) imediatamente ou não. Vai depender da nossa reunião no decorrer do dia", disse.

Rodríguez assumiu o cargo na noite de quinta-feira, depois que o Congresso, reunido na cidade de Sucre, aceitou a renúncia do presidente Carlos Mesa e de seus dois sucessores imediatos – o presidente do Senado, Hormando Vaca Díez, e da Câmara, Mário Cossío.

Evo Morales

O líder dos manifestantes que cultivam a folha de coca, deputado Evo Morales, anunciou que vai suspender os protestos.

Mas, como as manifestações estão fragmentadas, ainda é difícil prever quando elas vão deixar de ocorrer de vez, como destacou o presidente da Assembléia Permanente dos Direitos Humanos, Sacha Llorenti.

Segundo ele, com a posse do presidente da Suprema Corte de Justiça, Eduardo Rodríguez, como presidente interino, a Bolívia resolveu "temporariamente" uma crise política.

Na opinião de Llorenti, falta muito para o país entrar nos eixos desejados tanto pelos indígenas (que representam 62% do país, segundo dados oficiais) quanto pelos mestiços (filhos de espanhóis e culturas indigenas ou outras).

"A Bolívia vive uma crise estrutural e o Estado precisa renovar-se para acompanhar as mudanças exigidas pela sociedade", disse.

As primeiras medidas de Eduardo Rodríguez, como ele mesmo disse no discurso de posse, serão: a convocação da Assembléia Constituinte, para definir uma nova Constituição; a convocação de eleições, a autonomia pedida por alguns Departamentos (Estados), como Santa Cruz de la Sierra, e a nacionalização ou não da exploração e comercialização dos hidrocarburetos (petróleo e gás).

Ainda não se sabe, porém, como e quando ele começará a discutir essa agenda com o Congresso Nacional e em que ordem de discussão entrará cada um dos assuntos.

Mais protestos

Na próxima terça-feira, o Congresso Nacional terá sua primeira reunião, após a posse de Rodríguez. E não se descarta, como disse Abel Mamani, presidente da Federação das Comunidades Carentes da cidade de El Alto, que sejam realizadas manifestações na porta do Parlamento.

"O problema é que estamos discutindo um novo país, que pretende ser mais justo, mas não podemos e não queremos fazer isso com esse Congresso Nacional que agora está representado", disse.

Sacha Llorenti explicou que a grande expectativa é pela definição do calendário eleitoral e se as eleições serão gerais, como pedem os manifestantes – incluindo presidente, vice, deputados e senadores –, ou se serão apenas para presidente, como diz a Constituição atual.

"Estamos vivendo, depois da posse de Rodríguez, horas de distensão. Mas ainda temos outra crise para resolver, a social. E ela só encontrará um caminho depois da discussão desta agenda comum", afirmou Llorenti.

Segundo ele, ao tentar debater a autonomia de alguns Departamentos e uma nova lei (a terceira em menos de dez anos) de hidrocarburetos, a Bolívia está definindo um novo tipo de "acumulação e distribuição de riquezas".

Hoje, recordou, a Bolívia é um dos países com maior concentração de renda do continente, possui maioria indígena que entende que as decisões são tomadas pelas minorias "brancas" ou mestiças.

No caso da autonomia, Departamentos como Santa Cruz de la Sierra, querem a liberdade e autoridade para administrar seus próprios recursos econômicos e naturais. Ou seja, ser dona da terra rica em agricultura e minerais, sem distribuir o arrecadado com o restante da nação.

Idéia rejeitada pelos que vivem em La Paz, por exemplo. Ou seja, os do "Oriente" (Santa Cruz e outras) querem a autonomia, rejeitada, como eles definem, pelo "Ocidente" (La Paz e outras).

Em alguns lugares, como Sucre e La Paz, a polícia nacional continua de prontidão, enquanto outros grupos de manifestantes estão reunidos para definir suas próximas estratégias.

Em mais um dia de céu azul e baixas temperaturas em La Paz, a tensão é infinitamente menor que nos dias anteriores. Mas a história ainda tem vários capítulos pela frente.

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