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Atualizado às: 09 de junho, 2005 - 22h48 GMT (19h48 Brasília)
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Congresso suspende decisão sobre renúncia de Mesa

Mineiro protesta nas ruas na Bolívia
Manifestantes continuam a protestar nas ruas de La Paz
A sessão do Congresso Nacional da Bolívia que vai decidir se a renúncia do presidente Carlos Mesa será aceita foi suspensa. Ainda não há data definida para nova sessão.

A tensão e a pressão dos manifestantes que cercam a Praça 25 de maio, na cidade de Sucre, onde os parlamentares estão reunidos, levaram o presidente do Congresso Nacional, Hormando Vaca Díez, a adiar o encontro.

Segundo as televisões da Bolívia, os parlamentares estão ilhados no edifício onde seria realizada a sessão. Eles temem ser agredidos pelos manifestantes.

A pergunta feita agora é se Vaca Díez adiou a sessão porque pensa em renunciar à possibilidade de assumir a presidência, ou se espera um clima menos tenso para confirmar o pedido de renúncia de Carlos Mesa e proclamar-se seu sucessor.

De acordo com a Constituição boliviana, o presidente do Congresso é o primeiro na linha de sucessão no caso de a presidência ficar vaga.

O ministro do governo, Saul Lara, confirmou a morte de um mineiro nesta quinta-feira, a primeira desde que a turbulência social começou. Ele informou que as primeiras notícias são de que a morte ocorreu num momento em que se jogavam dinamites nos policiais em Sucre.

Evacuação

Com o aumento da tensão, diversos países já pensam em retirar seus cidadãos da Bolívia.

Na embaixada do Brasil em La Paz, o embaixador Antonio Lisboa Maia realiza reunião com os três adidos militares e com diplomatas.

Mas ninguém comentou sobre o plano de evacuação dos brasileiros residentes no país.

Segundo a imprensa boliviana, as embaixadas da Espanha, que possui 3,6 mil cidadãos vivendo no país, e de Israel, entre outras, já teriam o mesmo plano.

Ao mesmo tempo, o chanceler do Peru, Manuel Rodríguez, disse que os 60 peruanos que, oficialmente, vivem na Bolívia serão levados para a capital do país, Lima.

"Essas pessoas vão ser levadas imediatamente porque estão sofrendo com o desabastecimento de alimentos e em alguns casos não podem receber dinheiro do exterior", afirmou, referindo-se principalmente aos que vivem nos lugares mais afetados pelos bloqueios das estradas, as cidades de La Paz e El Alto.

Ainda nesta quinta-feira, o chefe das Forças Armadas da Bolívia, almirante Luis Aranda, pediu uma trégua nacional aos manifestantes que interrompem o trânsito em cerca de 80% das estradas do país há mais de três semanas e disse que o Congresso Nacional deve refletir antes de tomar qualquer decisão.

O professor de Sociologia da Universidade San Andrés Álvaro García Linera – considerado um dos principais analistas políticos da Bolívia – disse que as palavras do chefe das Forças Armadas foram um último alerta do Exército para que o Congresso atenda o pedido das ruas e convoque eleições gerais.

Segundo ele, se Vaca Díez for confirmado no cargo, uma de suas primeiras medidas seria convocar o Exército para desbloquear as rodovias do país.

Apoio antigo

Seria por isso que, para evitar ser responsabilizado pelos possíveis confrontos com os manifestantes, Luis Aranda se antecipou, pedindo que o Congresso "pense bem" antes de tomar uma decisão, disse Linera.

"Os bolivianos que agora protestam contra os políticos são os mesmos que neles votaram durante as eleições dos últimos 20 anos", disse o analista.

"Esse apoio começou com a eleição, em 1985, de Victor Paz Estenssoro, passou por Jaime Paz Zamora, em 89, e por Gonzalo Sánchez de Lozada, em 96. A partir daquele ano, começou o processo de privatizações (das empresas dos setores) de petróleo, telecomunicações e energia elétrica."

"Ao mesmo tempo, nestas duas décadas, os três partidos desses presidentes tiveram 60% dos votos até 2002, nas eleições legislativas, quando caíram para 42%, e no ano passado, nas eleições municipais, quando despencaram para 15%.", completou.

Por tudo isso, diferentes analistas e líderes dos manifestantes temem que, caso Vaca Díez assuma a presidência, aumente a violência dos protestos ou confrontos com policiais e até o Exército.

Os bolivianos ainda recordam que, em 2003, quando o Exército foi convocado para reprimir as manifestações, o confronto terminou com 68 mortos e 500 feridos.

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