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Cresce resistência a Vaca Díez como sucessor de Mesa | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A poucas horas da sessão do Congresso Nacional, em Sucre, capital constitucional da Bolívia, que vai decidir se a renúncia do presidente Carlos Mesa será aceita, cresce a rejeição à possível posse do senador Hermando Vaca Díez como seu sucessor. "Parlamentares vende-pátria. O Congresso deve ser fechado, e novas eleições gerais realizadas. O gás é nosso, não vendemos e não presenteamos", gritaram manifestantes, durante caminhada pacífica que reuniu no início da noite uma multidão de professores, estudantes, mineiros e outros, no centro de La Paz. Outros diziam, entre aplausos: "Vaca e Cossio, a mesma coisa. Queremos outro". Mario Cossio é o presidente da Câmara dos Deputados e, de acordo com a constituição, também integra a linha sucessória presidencial. Nesse clima, que incluiu protestos em vários pontos do país, menos violentos que na véspera, está marcada a sessão do Congresso. Eleições já Mas analistas e a imprensa boliviana já especulavam, na noite desta quarta-feira, sobre a possibilidade de o encontro ser interrompido ou de não ser realizado, já que os manifestantes dirigem-se, em massa, para Sucre. Muitos estão decididos a tentar impedir que Vaca Díez assuma o poder. "Queremos eleições gerais já", afirmam dirigentes dos sindicatos dos mineiros, dos homens do campo e dos professores. Na última segunda-feira, Mesa anunciou, pela segunda vez, sua renúncia. No dia seguinte, voltou à TV, pedindo que Vaca Díez e Cossio deixem a responsabilidade para o presidente da Suprema Corte de Justiça, Eduardo Rodríguez, que deveria convocar eleições. Mesa fez questão de ressaltar que, desta vez, sua renúncia é "irrevogável". Na sessão dos congressistas, nessa quinta-feira, será analisado o pedido de Mesa e a posse de Vaca Díez. Constituição De acordo com a constituição nacional, após a renúncia do presidente (no caso Gonzalo Sanchez de Losada, que saiu em 2003) e do vice (Mesa), a linha sucessória cabe aos dois parlamentares. "Gonzalo Sanchez de Losada, Mesa, Vaca Díez e Cossio são farinha do mesmo saco. Implementaram um programa econômico que só fez aumentar a pobreza no país e, abriu caminho para o capital estrangeiro explorar nosso gás", reclamou o deputado Evo Morales, do MAS, numa das suas tantas entrevistas à imprensa. A atual crise boliviana explodiu em maio, após a promulgação da lei de hidrocarburetos, sobre exploração de gás no país. Nas ruas de La Paz, vendedores ambulantes vendem por 1 boliviano uma edição resumida e detalhada com todos os artigos da nova lei, o estopim dos conflitos. Hoje, o assunto domina discussões de diferentes setores - não apenas dos mineiros - e é a marca de um debate que envolve o futuro político, social e econômico do país e o destino dos investimentos externos do ramo que aqui já tinham se instalado. |
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