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Atualizado às: 07 de junho, 2005 - 16h42 GMT (13h42 Brasília)
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Perfil: Carlos Mesa
Carlos Mesa renunciou à presidência da Bolívia
Mesa renunciou em razão de protestos nas últimas semanas
Ao chegar à Presidência da Bolívia em outubro de 2003, uma das qualidades destacadas sobre Carlos Mesa era o fato de não pertencer à classe política tradicional.

Ele chegara ao posto de vice-presidente de seu antecessor, Gonzalo Sánchez de Lozada, sem ser afiliado a nenhum partido.

Assumiu um país em turbulência política e social. Historiador e jornalista, em 19 meses de governo Mesa foi obrigado a aprender a fazer articulações.

Foi elogiado por analistas políticos em março deste ano, quando o Congresso rejeitou o seu primeiro pedido de renúncia.

A imagem do presidente saiu fortalecida do episódio, num momento em que manifestações de ruas e bloqueios das estradas começavam a sufocar o governo.

Sobrevida

O que à época parecia ser uma cartada política brilhante, apenas ganhou alguns meses de sobrevida para uma administração bombardeada por críticas pela oposição de esquerda – que tem mostrado forte poder de mobilização popular.

Mesa tentou responder à principal demanda da esquerda: o aumento do uso da receita obtida com a exploração de gás natural para promover o bem-estar social.

Ele enfrentou fortes interesses financeiros e aumentou os impostos cobrados das empresas estrangeiras autorizadas a explorar o gás (a Petrobrás entre elas).

A medida não aplacou os protestos, com os manifestantes – a maioria deles indígenas, trabalhadores agrícolas e mineiros – exigindo a completa nacionalização do setor energético.

Mesa acusou os sindicatos e outros setores de impedir o desenvolvimento da Bolívia e de não permitir tranqüilidade para que governasse em paz.

Carlos Diego Mesa Gisbert, de 51 anos, conquistou popularidade no país com uma longa carreira na área da comunicação.

Ele é um dos donos da rede nacional de televisão Periodistas Asociados Televisión (PAT).

Nasceu em La Paz no dia 12 de agosto de 1953 e começou a sua carreira de jornalista cedo, em 1969, na Radiodifusoras Cristal.

Trajetória

Aos 23 anos, foi um dos fundadores da Cinemateca Boliviana, e chegou a subdiretor do jornal Ultima Hora, além de atuar pelas publicações Hoy, Presencia, La Razón e La Prensa, entre outras.

Mesa estudou nas universidades Complutense de Madrid e Mayor de San Andrés, em La Paz, onde se formou em Literatura em 1978.

Em 1994, Mesa conquistou o Prêmio Internacional de Jornalismo "Rey de España" e em 2000, o Prêmio de Jornalismo da Fundação Manuel Vicente Ballivián.

Além de atuar como colunista e crítico de cinema em vários meios de comunicação, Mesa também publicou dez livros.

Uma de suas obras mais importantes é "Presidentes de Bolivia: entre urnas y fusiles" (Presidentes da Bolívia: entre urnas e fuzis, de 1983).

66Bolívia
Entenda a crise que levou Carlos Mesa à renúncia.
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