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Congresso da Bolívia ainda não tem data para discutir renúncia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Congresso da Bolívia ainda não tem uma data definida para discutir se aceita a renúncia apresentada na noite de segunda-feira pelo presidente Carlos Mesa. Manifestantes continuam a ocupar as ruas da capital La Paz. O senador Hormando Vaca Díez, presidente do Congresso e primeiro na linha de sucessão, disse que ainda não há condições para convocar um encontro dos parlamentares. "Não me sinto em condições de decidir o momento da convocação do Congresso", disse ele, acrescentando que estuda-se a realização da sessão do Congresso num local alternativo, como Sucre ou Santa Cruz. As leis do país prevêem que, caso a renúncia de Mesa seja aceita, Vaca Díez assuma a Presidência. O senador, porém, enfrenta rejeição de quase todos os setores da Bolívia. Oposição de esquerda Um dos principais líderes da oposição de esquerda, o deputado indígena Evo Morales, acusou há alguns dias Vaca Díez de ter ambições presidenciais e de articular um golpe civil-militar para assumir o poder. Morales, líder dos plantadores de folha de coca, disse que só se pode acreditar parcialmente no pedido de renúncia de Mesa, "porque em nenhum momento ele mencionou que ela seja irrevogável".
"Para fazer-nos acreditar", acrescentou Morales, os presidentes das duas casas do Congresso, Vaca Díez e Mario Cossio, também devem renunciar, "e o presidente da Suprema Corte deve assumir a Presidência e convocar eleições presidenciais antes do final do ano". Carlos Mesa anunciou sua renúncia na segunda-feira, depois de um dia de protestos em La Paz nos quais os manifestantes pediam reformas constitucionais e a nacionalização do setor de energia. Num discurso transmitido pela TV no fim da noite de segunda-feira, ele disse que deixava o cargo porque "não podia fazer mais nada pela Bolívia". Mesa se tornou presidente em outubro de 2003, depois que protestos semelhantes levaram seu antecessor, Gonzalo Sanchéz de Losada, à renúncia. Segundo o correspondente da BBC em La Paz Elliott Gotkine, os parlamentares podem rejeitar a decisão de Mesa, como já aconteceu anteriormente em março, quando Mesa também ofereceu sua renúncia ao Congresso. Mesmo se o Congresso aceitar a renúncia do presidente, pode não ser suficiente para encerrar a crise, de acordo com o correspondente da BBC. No maior protesto das últimas semanas, dezenas de milhares de manifestantes ocuparam as ruas de La Paz na segunda-feira, incluindo mineradores, professores e plantadores de cacau. Algumas estimativas indicam que 80 mil pessoas tomaram parte nos protestos. Após o anúncio de renúncia de Mesa, a multidão começou a dispersar. Mas os manifestantes prometem continuar nas ruas até a nacionalização do setor energético - o gás natural é dos principais recursos naturais bolivianos - e a eleição de uma Assembléia para reformular a Constituição. OEA Nesta terça-feira o ministro das Relações Exteriores da Bolívia, Juan Ignacio Siles, fez um relato sobre a renúncia do presidente Carlos Mesa e pediu apoio dos governos da região ao novo presidente, durante a Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acontece em Fort Lauderdale, na Flórida. “Peço aos chanceleres que apóiem a quem, por sucessão constitucional, lhe corresponda assumir a Presidência da República”, afirmou o ministro. Ele também pediu que a organização continue acompanhando o “estrito cumprimento da ordem democrática por parte de todos os atores políticos e sociais” do país, “para que as determinações adotadas sejam marcadas pelo bom entendimento entre os bolivianos, a tolerância, a paz social e a vida humana como valor fundamental da construção democrática em nossos países”. Siles disse que Carlos Mesa vai continuar exercendo suas funções até que a sucessão seja completada, de acordo com a Constituição do país. |
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