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Congresso decide na quinta se aceita renúncia de Mesa | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O Congresso da Bolívia se reúne nesta quinta-feira, em Sucre, antiga capital do país, para decidir se aceita a renúncia apresentada pelo presidente Carlos Mesa. Nesta terça-feira, dezenas de milhares de manifestantes voltaram às ruas da capital da Bolívia, La Paz. Eles jogaram dinamite na polícia, que respondeu com bombas de gás lacrimogêneo. Os manifestantes bloquearam ruas e estradas e fazem pressão para que suas exigências de nacionalização da exploração das reservas de gás natural sejam atendidas. Além disso, eles querem garantias de que Mesa não será substituído pelo senador Hormando Vaca Díez, presidente do Congresso e primeiro na linha de sucessão. Rejeição Vaca Díez é amplamente rejeitado pelos manifestantes. Analistas afirmam que a única solução é o senador deixar a presidência a cargo do chefe da Suprema Corte.
Ele seria então obrigado a convocar eleições presidenciais, provavelmente antes do fim do ano. O correspondente da BBC em La Paz Elliott Gotkine afirma que Mesa pensou que sua renúncia encerraria os protestos, mas estava errado. Segundo o correspondente, os protestos ficaram mais violentos, e agora La Paz parece uma cidade em guerra. De acordo com a Constituição do país, Carlos Mesa deve continuar exercendo suas funções até que a sucessão seja completada. Um dos principais líderes da oposição de esquerda, o deputado indígena Evo Morales, acusou há alguns dias Vaca Díez de ter ambições presidenciais e de articular um golpe civil-militar para assumir o poder. Morales, líder dos plantadores de folha de coca, disse que só se pode acreditar parcialmente no pedido de renúncia de Mesa, "porque em nenhum momento ele mencionou que ela seja irrevogável". Brasil O ministro das Relações Exteriores brasileiro, Celso Amorim, disse que ainda é cedo para fazer comentários sobre a situação na Bolívia "Sempre que solicitado o Brasil estará pronto a ajudar, junto com os demais países sul-americanos, mas caberá à Bolívia fazer tal solicitação", declarou Amorim. "Tenho certeza de que há hoje, na Bolívia, maturidade para uma solução pacífica e equilibrada." Carlos Mesa anunciou sua renúncia na segunda-feira, depois de um dia de protestos em La Paz nos quais os manifestantes pediam reformas constitucionais e a nacionalização do setor de energia. Num discurso transmitido pela TV no fim da noite de segunda-feira, ele disse que deixava o cargo porque "não podia fazer mais nada pela Bolívia". Mesa se tornou presidente em outubro de 2003, depois que protestos semelhantes levaram seu antecessor, Gonzalo Sanchéz de Losada, à renúncia. O parlamentares podem rejeitar a decisão de Mesa, como já aconteceu anteriormente em março, quando o presidente também ofereceu sua renúncia ao Congresso. Mesmo se o Congresso aceitar a renúncia, pode não ser suficiente para encerrar a crise, de acordo com o correspondente da BBC. No maior protesto das últimas semanas, dezenas de milhares de manifestantes ocuparam as ruas de La Paz na segunda-feira, incluindo mineradores, professores e plantadores de cacau. Algumas estimativas indicam que 80 mil pessoas tomaram parte nas manifestações. |
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