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EUA e Venezuela trocam farpas sobre crise na Bolívia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
A renúncia do presidente da Bolívia, Carlos Mesa, provocou uma troca de acusações entre os governos dos Estados Unidos e da Venezuela, desta vez durante a Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), em Fort Lauderdale, na Flórida. O secretário-assistente para as Américas do Departamento de Estado, Roger Noriega, disse que “o perfil de Chávez na Bolívia pode ser sentido há muito tempo” quando questionado sobre a crise no país. O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Ali Rodríguez, rebateu as acusações numa entrevista coletiva logo depois. Ele disse que a Venezuela nunca se envolveu nos assuntos da Bolívia e negou que o governo do país apóie Evo Morales, líder dos plantadores de coca, que se opõem a Mesa. “A Venezuela é escrupulosamente respeitosa da soberania de cada país”, afirmou Rodríguez. Quando perguntado se o governo do país financiava Evo Morales, disse que não. “Indignadamente não”, afirmou. Rodríguez disse que a Venezuela não vai se envolver diretamente na crise boliviana, a não ser de forma coletiva por meio de organizações como OEA e Comunidade Andina da Nações (CAN), se for solicitado pelo governo. Ele também criticou Noriega. “Noriega parece que está sempre buscando colocar lenha na fogueira, quando a tarefa dos diplomatas é justamente apagar qualquer fogo onde quer que apareça. Porque uma vez que se acenda o fogo, não se sabe onde as chamas podem chegar”, afirmou. O porta-voz do Departamento de Estado americano, Sean McCormack, disse que o governo americano está pronto para assistir o governo boliviano se o país precisar. "Os Estados Unidos, assim como outros países no hemisfério, estão prontos para assistir a Bolívia. A OEA fez ontem uma oferta de ajuda, mas o governo boliviano indicou que eles mesmo resolveriam qualquer assunto interno que tenham", afirmou. Ele disse ainda que o governo americano entende que é um momento difícil para a Bolívia, o povo boliviano e o presidente Carlos Mesa, e que pedia uma solução democrática e pacífica para acabar com as tensões no país. Brasil As discussões sobre a Bolívia tornaram-se o tema mais urgente da Assembléia Geral da OEA, que discutia justamente maneiras de tornar mais efetiva a atuação da organização para prevenir crises democráticas nos países da região. A organização atendeu ao pedido do ministro das Relações da Bolívia, Juan Ignacio Siles, e elaborou um projeto de declaração sobre a situação no país. O projeto de declaração foi apresentado pelo Brasil, e ainda precisa ser aprovado pelos membros da OEA. O documento apóia a transição na Bolívia e pede que todos os envolvidos respeitem a democracia e garantam a unidade da Bolívia. O documento também reconhece os esforços do presidente Carlos Mesa ao tentar um consenso e sua “generosidade em renunciar para alcançar uma solução pacífica”. “Estamos propondo uma manifestação de solidariedade ao povo irmão da Bolívia, que atravessa um momento político sensível”, afirmou o embaixador Osmar Chohfi, chefe da missão permanente do Brasil na OEA. “Respeitando a maneira autônoma como a Bolívia deve conduzir este processo, manifestamos a disposição da OEA em oferecer a cooperação que vier a ser solicitada pelas legítimas autoridades da Bolívia para a superação da crise política”, disse o embaixador na reunião. |
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