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Presidente da Bolívia apresenta renúncia | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente da Bolívia, Carlos Mesa, anunciou sua renúncia, depois de um dia de protestos em La Paz nos quais os manifestantes pediam reformas constitucionais e a nacionalização do setor de energia. Num discurso transmitido pela TV no fim da noite de segunda-feira, ele disse que deixava o cargo porque "não podia fazer mais nada pela Bolívia". Mesa se tornou presidente em outubro de 2003, depois que protestos semelhantes levaram seu antecessor, Gonzalo Sanchéz de Losada, à renúncia. Sua decisão terá que ser aprovada pelo Congresso, que deve se reunir para debater o assunto nesta terça-feira. Crise Segundo o correspondente da BBC em La Paz Elliott Gotkine, os parlamentares pode rejeitar a decisão de Mesa, como já aconteceu anteriormente em março, quando Mesa também ofereceu sua renúncia ao Congresso. Mesmo se o Congresso aceitar a renúncia do presidente, pode não ser suficiente para encerrar a crise, de acordo com o correspondente da BBC. Durante a tarde desta segunda-feira, em meio à tensão crescente no país, a polícia usou gás lacrimogêneo durante choques com manifestantes perto do palácio presidencial. Para se proteger da violência, Mesa teve que deixar o prédio. No maior protesto das últimas semanas, dezenas de milhares de manifestantes ocuparam as ruas de La Paz, incluindo mineradores, professores e plantadores de cacau. A multidão lotou a Praça de San Francisco, no centro da capital, onde fica o Palácio do Governo e o Congresso. As lojas fecharam e, segundo um correspondente da BBC na cidade, o clima ficou violento – um vendedor ambulante foi agredido por abrir sua barraca e homens de negócios foram ameaçados. Combustíveis Uma greve paralisou o sistema de transportes na cidade - que estava já praticamente sem funcionar havia vários dias devido à falta de combustível, provocada por bloqueios nas estradas. A Igreja Católica tem atuado como mediadora na crise. Ela propôs que as eleições presidenciais fossem antecipadas em dois anos. Mas os manifestantes se recusaram a atender um pedido da Igreja para que voltassem às suas casas e suspendessem os protestos. O principal líder da oposição, Evo Morales, tinha pedido nesta segunda-feira a renúncia de Mesa – que assumiu após uma crise ter derrubado seu antecessor em 2003 – e dos presidentes do Senado e da Câmara. Constituinte Morales defende que o presidente da Suprema Corte assuma temporariamente o comando do país e convoque eleições gerais antecipadas. Os manifestantes prometem continuar nas ruas até a nacionalização do setor energético - o gás natural é dos principais recursos naturais bolivianos - e a eleição de uma assembléia para reformular a Constituição. Na semana passada, Mesa apresentou planos para convocar uma nova Constituinte. Além das questões relativas à exploração do gás natural, o governo ainda tem de lidar com pressões das Províncias mais ricas do país por uma maior autonomia com relação ao poder central. |
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