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Atualizado às: 09 de junho, 2005 - 22h10 GMT (19h10 Brasília)
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Vaca Díez diz que vai pensar se assume presidência ou não
Mineiro protesta nas ruas na Bolívia
Manifestantes continuam a protestar nas ruas de La Paz
O presidente do Congresso boliviano, Hormando Vaca Díez, disse nesta quinta-feira que "meditará profundamente" sobre a decisão de assumir a presidência do país caso os parlamentares aceitem a renúncia do presidente Carlos Mesa.

O Parlamento está se reunindo na cidade de Sucre, capital constitucional do país, para discutir se aceita a renúncia – o senador Vaca Díez é o primeiro na linha de sucessão de acordo com a Constituição, mas enfrenta forte oposição de sindicatos, índigenas e grupos de esquerda, que há mais três semanas protestam nas ruas.

"Se a renúncia do presidente Mesa for aceita, vou meditar profundamente sobre a situação antes de dar um resultado", afirmou.

Os manifestantes continuam a bloquear estradas e a ocupar as ruas de La Paz. Milhares também se concentram no arredores do Parlamento em Sucre – houve choques com a polícia.

Morte

Segundo a agência de notícias Associated Press, o líder de um grupo de mineiros foi morto a tiros pela polícia na estrada, quando se dirigia a Sucre para protestar – no que seria a primeira morte ligada à turbulência social.

O ministro do governo, Saul Lara, confirmou a morte do mineiro. Ele informou que as primeiras notícias são de que ela ocorreu num momento em que se jogavam dinamites nos policiais em Sucre.

Na embaixada do Brasil em La Paz, o embaixador Antonio Lisboa Maia realiza reunião com os três adidos militares e com diplomatas.

Mas ninguém comentou sobre o plano de evacuação dos brasileiros residentes no país.

Segundo a imprensa boliviana, as embaixadas da Espanha, que possui 3,6 mil cidadãos vivendo no país, e de Israel, entre outras, já teriam o mesmo plano.

Ao mesmo tempo, o chanceler do Peru, Manuel Rodríguez, disse que os 60 peruanos que, oficialmente, vivem na Bolívia serão levados para a capital do país, Lima.

"Essas pessoas vão ser levadas imediatamente porque estão sofrendo com o desabastecimento de alimentos e em alguns casos não podem receber dinheiro do exterior", afirmou, referindo-se principalmente aos que vivem nos lugares mais afetados pelos bloqueios das estradas, as cidades de La Paz e El Alto.

Impasse

Líderes das diferentes bancadas do Congresso boliviano não conseguiram unificar suas posições em relação à crise no país no início do encontro na cidade de Sucre (a 800 km de La Paz).

Líderes da oposição e manifestantes nas ruas vêm pedindo que Vaca Díez abra mão da presidência e que os parlamentares convoquem novas eleições.

Ainda nesta quinta-feira, o chefe das Forças Armadas da Bolívia, almirante Luis Aranda, pediu uma trégua nacional aos manifestantes que interrompem o trânsito em cerca de 80% das estradas do país há mais de três semanas e disse que o Congresso Nacional deve refletir antes de tomar qualquer decisão.

O professor de Sociologia da Universidade San Andrés Álvaro García Linera – considerado um dos principais analistas políticos da Bolívia – disse que as palavras do chefe das Forças Armadas foram um último alerta do Exército para que o Congresso atenda o pedido das ruas e convoque eleições gerais.

Segundo ele, se Vaca Díez for confirmado no cargo, uma de suas primeiras medidas seria convocar o Exército para desbloquear as rodovias do país.

Apoio antigo

Seria por isso que, para evitar ser responsabilizado pelos possíveis confrontos com os manifestantes, Luis Aranda se antecipou, pedindo que o Congresso "pense bem" antes de tomar uma decisão, disse Linera.

"Os bolivianos que agora protestam contra os políticos são os mesmos que neles votaram durante as eleições dos últimos 20 anos", disse o analista.

"Esse apoio começou com a eleição, em 1985, de Victor Paz Estenssoro, passou por Jaime Paz Zamora, em 89, e por Gonzalo Sánchez de Lozada, em 96. A partir daquele ano, começou o processo de privatizações (das empresas dos setores) de petróleo, telecomunicações e energia elétrica."

"Ao mesmo tempo, nestas duas décadas, os três partidos desses presidentes tiveram 60% dos votos até 2002, nas eleições legislativas, quando caíram para 42%, e no ano passado, nas eleições municipais, quando despencaram para 15%.", completou.

Por tudo isso, diferentes analistas e líderes dos manifestantes temem que, caso Vaca Díez assuma a presidência, aumente a violência dos protestos ou confrontos com policiais e até o Exército.

Os bolivianos ainda recordam que, em 2003, quando o Exército foi convocado para reprimir as manifestações, o confronto terminou com 68 mortos e 500 feridos.

Colaborou Marcia Carmo, enviada especial a La Paz

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