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Brasil tenta obter apoio argentino a assento na ONU | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O embaixador José Viegas, ex-ministro da Defesa, terminou na Argentina uma turnê por seis países para tentar obter apoio à candidatura brasileira a membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. A visita acontece em uma semana de diferenças entre o Brasil e a Argentina e Viegas admitiu que encontrou dificuldades no apoio do vizinho. Segundo o embaixador, a Argentina é um dos três países – os outros dois são Colômbia e Uruguai – que não mostraram sua tendência nas discussões sobre uma possível reforma no órgão da ONU. "A maioria dos países da América do Sul nos apóia explicitamente", afirmou Viegas, após encontro com o vice-chanceler argentino, Jorge Taiana. O representante argentino voltou a insistir que seu país prefere um sistema com membros rotativos. Divergências A reforma no Conselho de Segurança da ONU nem saiu, mas as discussões sobre quem deveria ocupar uma eventual cadeira adicional já se somam às divergências vividas entre os dois principais sócios do Mercosul. Viegas, no entanto, negou ter vindo pedir o apoio e sim "expor" a posição brasileira. “Não recebi um “não” porque não vim pedir nada. Mas expor a posição brasileira de destacar a necessidade de convergência e um representante da região no Conselho de Segurança da ONU”, disse. “Foi uma conversa ortodoxa, na qual falei sobre a busca da convergência (pela candidatura brasileira) e que com um representante a região sairia ganhando, já que estamos dispostos a levar os problemas de cada um para o Conselho”. Inicialmente, o encontro do embaixador brasileiro, marcado antes da crise, segundo informação oficial, seria com o ministro das Relações Exteriores, Rafael Bielsa. Primeiro a disparar críticas contra o Brasil, principalmente sobre a política externa do país, o chanceler teria sido convocado para reunião com o presidente Néstor Kirchner. Na entrevista à imprensa brasileira, Viegas revelou que o apoio oficial dado pelo Brasil ao candidato do Uruguai à Organização Mundial de Comércio (OMC), Carlos Pérez del Castillo, deverá levar o país presidido por Tabaré Vázquez a mudar de opinião e passar a respaldar a candidatura brasileira a membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. “Agora, depois do comunicado brasileiro (apoiando o representante uruguaio), temos a impressão de que, com esse empecilho removido, não haveria dificuldades para o Uruguai acompanhar o Brasil no Conselho de Segurança”, declarou Viegas. Quando questionado se isso teria sido uma troca, ele respondeu: “Não, não é uma troca. Mas essas coisas ficam subentendidas”. O embaixador também fez uma escala em Nova York, por onde fez campanha para a eleição do Brasil no Conselho de Segurança da ONU. Na Argentina, Viegas minimizou os desentendimentos entre os vizinhos, dizendo que tudo se trata de “um episódio”, “uma parte de um filme, mas não a fita inteira”. Na sua opinião, os países reagem porque é uma forma de buscar espaço. O enviado do presidente Lula confirmou que o presidente argentino, Néstor Kirchner, estará na semana que vem em Brasília para a reunião entre os países da América do Sul e países árabes. |
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