BBCBrasil.com
70 anos 1938-2008
Español
Português para a África
Árabe
Chinês
Russo
Inglês
Outras línguas
Atualizado às: 02 de maio, 2005 - 19h57 GMT (16h57 Brasília)
Envie por e-mailVersão para impressão
Bielsa minimiza polêmica do papel do Brasil na América do Sul

O chanceler argentino, Rafael Bielsa
Para chanceler, Brasil deveria primeiro consolidar Mercosul
O ministro das Relações Exteriores da Argentina, Rafael Bielsa, minimizou nesta segunda-feira a polêmica do papel do Brasil na América do Sul.

Bielsa falou após publicação de reportagem pelo jornal argentino Clarín, que diz que a Argentina vai "endurecer" sua política em relação ao Brasil – insatisfeita com o que considera uma ambição demasiada do país em assumir um papel de liderança na região.

Na avaliação de Bielsa, "não é que exista uma insatisfação a respeito da primazia do Brasil", mas o governo brasileiro deveria se dedicar mais à consolidação do Mercosul antes de partir para objetivos mais ambiciosos, como a Comunidade Sul-Americana das Nações, lançada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em dezembro do ano passado.

No fim de semana, Bielsa comandou uma reunião em Washington com um grupo de embaixadores argentinos para discutir a política externa da Argentina e a relação entre os dois países.

"A reflexão sobre o Brasil ocupou uma parte das discussões entre os embaixadores", disse Bielsa em entrevista à BBC Brasil, ao classificar a reunião como uma "reflexão sobre a política externa" argentina. Ele afirmou que "não muda substancialmente nada" na relação entre os dois países.

"É preciso distinguir os títulos dos textos. Os títulos vocês jornalistas sabem que têm a função de chamar a atenção. Os textos são mais reflexivos", afirmou ao citar a reportagem do jornal argentino Clarín.

"Houve um episódio concreto, em que tivemos opinião diferente, que foi a candidatura à OMC", disse o ministro argentino.

Divisão

O Brasil apresentou a candidatura do embaixador Luiz Felipe de Seixas Corrêa à direção da Organização Mundial do Comércio (OMC), enquanto o Uruguai tinha um outro candidato, Carlos Perez del Castillo. A apresentação de dois candidatos num bloco de quatro países foi vista por analistas como um sinal concreto da falta de união política entre os parceiros do Mercosul.

Bielsa disse que o país já tinha prometido apoio ao uruguaio seis meses antes do lançamento da candidatura de Seixas Corrêa, e que a derrota do embaixador brasileiro mostrou que a candidatura havia sido um erro.

O ministro argentino disse que o Mercosul ainda tem muitos pontos pendentes e que o Brasil deveria se dedicar à consolidação do bloco.

"Depois de investir 14 anos no Mercosul, o racional é investir um pouco mais no Mercosul", afirmou. Ele disse que é o momento de pensar na Comunidade Sul-Americana de Nações "como uma idéia", mas que não se deve dar um salto maior do que a capacidade dos países de concretizá-lo.

"O chanceler Celso Amorim me disse recentemente que não se pode pedir que o Brasil renuncie a sua grandeza, o que me parece uma frase muito feliz. Mas sem deixar de ter o sonho de uma união sul-americana, o Mercosul ainda requer muito trabalho", afirmou.

Ele citou o documento de Assunção, acordado na reunião de cúpula do Mercosul na capital paraguaia, há quase dois anos, que defende uma convergência macroeconômica entre os países do bloco e o reconhecimento das "disparidades", o que na prática significa a concessão por parte do Brasil de vantagens às economias menores do bloco.

Celso Amorim também minimizou o conteúdo da reportagem do Clarín. Em Paris, o chanceler disse se tratar de especulações as alegações de que os argentinos vão "endurecer" a relação com o Brasil, já que as frases do presidente argentino, Néstor Kirchner, não estão entre aspas no jornal.

Amorim acrescentou que, apesar de algumas divergências, em geral Brasil e Argentina adotam posições semelhantes, como por exemplo nas negociações comerciais no âmbito da OMC.

O chanceler disse que gostaria que a Argentina apoiasse a candidatura do Brasil a uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU, mas que respeita a oposição do país vizinho neste tema.

Ele afirmou que o Brasil, por sua vez, apóia as causas argentinas – Amorim citou como exemplo a questão do mapa da União Européia, que identifica as Ilhas Malvinas como parte do continente europeu, o que foi contestado pelas autoridades de Buenos Aires.

Colaborou Daniela Fernandes, de Paris

66Eleições britânicas
Página especial traz notícias e análises sobre a disputa.
66Guia interativo
O que cada partido pensa para o futuro da Grã-Bretanha.
66Em imagens
Objetos de Marlon Brando vão a leilão em NY; veja fotos.
NOTÍCIAS RELACIONADAS
LINKS EXTERNOS
A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo dos links externos indicados.
ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Envie por e-mailVersão para impressão
Tempo|Sobre a BBC|Expediente|Newsletter
BBC Copyright Logo^^ Início da página
Primeira Página|Ciência & Saúde|Cultura & Entretenimento|Vídeo & Áudio|Fotos|Especial|Interatividade|Aprenda inglês
BBC News >> | BBC Sport >> | BBC Weather >> | BBC World Service >> | BBC Languages >>
Ajuda|Fale com a gente|Notícias em 32 línguas|Privacidade