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Atualizado às: 04 de maio, 2005 - 08h13 GMT (05h13 Brasília)
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Política interna 'alimenta crise' entre vizinhos, dizem especialistas

O presidente argentino, Néstor Kirchner, em foto de arquivo
Para analista, Kirchner estaria usando o Brasil como 'bode expiatório'
Um dos elementos que contribuem para a perspectiva de um cenário de disputa política entre Brasil e Argentina é a influência que a relação entre os dois países exerce sobre os problemas internos dos dois vizinhos.

A Argentina vive um ano de eleições legislativas, marcadas para outubro, e as disputas com o Brasil acabam sendo encaradas como uma “questão interna” no país.

“Essas diferenças entre o Brasil e a Argentina ocorrem principalmente por culpa da Argentina”, diz Julio Nogues, professor de políticas e instituições de comércio internacional da Universidade Torcuato Di Tella.

“Cada governo que chega varre o que o anterior realizou. Foi assim com (Raul) Alfonsín para os militares, com (Carlos) Menem para seu antecessor, Alfonsín. E quando (Eduardo) Duhalde e (Néstor) Kirchner chegaram ao poder, apagaram o que Menem fez”, acrescenta Nogues. “Aqui, a política é a seguinte: a da incerteza.”

Para Miguel Serna, professor das faculdades de ciências políticas e econômicas da Universidade de la República, no Uruguai, disputas como as que ocorrem atualmente entre Brasil e Argentina são um “jogo de soma zero”.

O professor uruguaio afirma que Brasil e a Argentina fazem um “jogo duplo” de interesses do Mercosul e nacionais. “São gestos de rispidez, que enfraquecem o bloco no cenário internacional”, diz Serna.

Bode expiatório

O cientista político José Augusto Guilhon Albuquerque, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da USP, também diz acreditar que o ambiente político na Argentina contribui para uma possível crise na relação com o Brasil.

“Você tem, de um lado, a pressão externa, uma economia que estagnou durante vários anos, e, de outro lado, movimentos de insurreição popular praticamente constantes em Buenos Aires”, afirma Guilhon.

De acordo com o professor da USP, as declarações do governo argentino indicam que o presidente Néstor Kirchner escolheu o Brasil como o bode expiatório para os problemas internos da Argentina.

Para Guilhon, a retórica argentina se manifesta quando o governo sugere que o Brasil não apoiou a negociação do país com o FMI, não ajudou o vizinho a sair da crise e prejudica a indústria argentina ao fazer dumping contra os seus produtos.

“O comportamento da Argentina com relação a questões externas é de encontrar uma válvula de escape para essas questões domésticas”, diz o cientista político.

Na opinião de Guilhon, a lógica transmitida pelo governo Kirchner é de que a culpa de tudo que está acontecendo na Argentina é do Brasil e, por isso, enfrentar o governo brasileiro é uma forma de resolver as questões internas argentinas.

Conselho de Segurança

Outro tema que divide Brasil e Argentina é a campanha brasileira por uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU.

“A Argentina nunca concordará com essa posição brasileira”, diz José Botafogo Gonçalves, presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

Ex-embaixador do Brasil na Argentina, Botafogo Gonçalves diz que os planos brasileiros para as Nações Unidas sempre terão a oposição não só dos argentinos como também dos mexicanos.

“À medida em que aceitassem uma posição de predominância do Brasil no Conselho de Segurança, México e Argentina se sentiriam sempre menosprezados”, afirma o diplomata. “É um sentimento de inferioridade. Ninguém aceita uma posição inferior sem lutar contra ela.”

“O fato de que o Brasil está cada vez mais importante no mundo e na América Latina não é uma situação confortável nem para o México nem para a Argentina. Eles vão sempre ser obstáculo a isso”, conclui Botafogo Gonçalves.

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