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Atualizado às: 04 de maio, 2005 - 08h17 GMT (05h17 Brasília)
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'Parceiros' querem Mercosul forte antes de comunidade sul-americana

O presidente argentino, Néstor Kirchner, em foto de arquivo
Para analista, Kirchner estaria usando o Brasil como 'bode expiatório'
Pelo menos dois parceiros regionais do Brasil, a Argentina e o Paraguai, têm manifestado a opinião de que o governo brasileiro deveria se dedicar mais à consolidação do Mercosul antes de partir para objetivos mais ambiciosos, como a Comunidade Sul-Americana de Nações.

Na última segunda-feira, em Washington, o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Rafael Bielsa, disse que a integração do Mercosul depende de “muito trabalho” para resolver as dúvidas ainda pendentes no bloco.

“Depois de termos investido 14 anos no Mercosul, o racional é investir mais no Mercosul”, afirmou o chanceler argentino, que elogiou a frase do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, de que o Brasil não pode renunciar a sua grandeza.

“Sem deixar de ter presente o sonho da união sul-americana, o Mercosul ainda requer muito trabalho”, comentou Bielsa, que optou por um tom semelhante ao adotado pela ministra das Relações Exteriores do Paraguai, Leila Rachid.

“É preciso pensar muito bem que estrutura vamos dar a essa Comunidade Sul-Americana de Nações, que não entre em colisão com nenhuma outra organização e que ajude em um processo que já tem maturidade suficiente, como é o caso do Mercosul”, afirmou a chanceler paraguaia.

Mercosul

Na Argentina, representantes do governo e das indústrias argumentam que existe um “desequilibrio produtivo” nas bases do Mercosul, especialmente entre o Brasil e seus sócios do bloco.

Diante das reclamações, eles voltaram a sugerir que o Mercosul estabeleça uma espécie de “gatilho de proteção” cada vez que o comércio ou algum setor termine prejudicado pela relação entre os parceiros e pelas regras do bloco.

“Faz todo sentido que o governo argentino não dê prestígio e importância à Comunidade Sul-Americana de Nações. O governo brasileiro está indo rápido demais, deixando de lado o Mercosul”, disse um assessor da União Industrial Argentina (UIA).

“A Alca (Área de Livre Comércio das Américas) só está no papel, e a Comunidade Sul-Americana de Nações, idem. O Mercosul é a única realidade. Mas ele está estancado. Nesse caso porque falta liderança do Brasil. O bloco depende do Brasil para ir adiante”, afirma Julio Nogues, professor de políticas e instituições de comércio internacional da Universidade Torcuato Di Tella.

Referência

Especialistas em Mercosul como o ex-secretário de indústria da Argentina, o economista Dante Sica, da Abeceb.com, destacam que o problema do bloco é ser uma “união aduaneira imperfeita”.

Várias medidas tomadas de comum acordo, em diferentes encontros de presidentes, não saíram do papel – um exemplo: os acordos macroeconômicos comuns, como metas de inflação.

Apesar dos problemas, a chilena Iris Vittini, especialista em integração do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, diz que o Mercosul é um bloco de referência no contexto internacional e, por isso mesmo, o governo chileno deveria “intensificar” sua relação com o bloco.

“O Chile só tem a ganhar. Recebeu apoio dos países vizinhos para a candidatura de José Miguel Insulza para a OEA (Organizaçao dos Estados Americanos) e poderia atuar ainda como mediador, quando ocorrerem problemas entre Brasil e Argentina”, afirma Vittini.

Para a especialista, o Chile deveria dar cada vez mais apoio à criação da Comunidade Sul-Americana de Nações. “Essa integração é fundamental nos dias de hoje. Um gesto político importante, mas que não enfraquece ou diminui a importância do Mercosul”, acrescenta.

Política comum

Na opinião do cientista político José Augusto Guilhon Albuquerque, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da USP, a atual proposta da Comunidade Sul-Americana de Nações foi criada em torno do governo brasileiro, para dar base à liderança brasileira, e, por isso, não é aceita por outros países.

“Uma coisa é eles aceitarem uma integração de fato, que tem um país em condições de liderar”, diz Guilhon. “Outra coisa é eles criarem algo que seja apenas uma plataforma para a liderança pessoal do presidente Lula.”

O presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), José Botafogo Gonçalves, afirma que as divergências entre Brasil e Argentina são naturais porque não há uma política externa comum entre os dois países.

De acordo com Botafogo Gonçalves, brasileiros e argentinos têm uma tradição nacionalista, que impede a redução da soberania nacional em favor de uma visão regional dos problemas.

“Com isso, nós vamos ter que nos habituar daqui para frente a termos posições diferentes em temas de importância da política externa”, afirma o presidente do Cebri.

* colaborou Denize Bacoccina, de Washington

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