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Atualizado às: 08 de dezembro, 2004 - 10h03 GMT (08h03 Brasília)
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Socorro! Gente!
Ivan Lessa
Cada dia, eu acho que o metrô anda mais cheio. Não só no período do Natal. O ano inteiro. A sala de minha casa mantém uma população razoavelmente estável.

Vendo os telejornais, noto que em todos os lugares do mundo inteiro há muita gente. Não é só na Índia, se banhando no rio Ganges, ou no Rio de Janeiro, fazendo o mesmo na praia de Copacabana. Não. É em todo e qualquer lugar. Para mim, é aquela velha história, muita gente dá bobagem.

Um livro recente, do qual não darei detalhes para economizar espaço, confirma minhas suspeitas: o mundo está botando gente pelo ladrão.

Estamos todos apertados aqui. Feito a arquibancada do Maracanã quando o Brasil perdeu a Copa do Mundo para o Uruguai em 1950, quando, por sinal, éramos muito menos gente.

Em 1800, não passávamos de um pugilo de bravos de um bilhão espalhados pelo globo terrestre. 125 anos depois e, graças a muita besteira feita, passamos a 2 bilhões.

Nada que se compare ao desatino do século passado, quando impensadamente passou-se a nascer mais e morrer menos – lá fomos nós, terráqueos, partir para os 3 bilhões, dos quais uns bons 2 bilhões zanzando pelas ruas sem saber direito o que fazer nem onde ir.

Emilinha Borba cantou "e assim se passaram dez anos" e, em 1971, batemos pique nos 4 bilhões. Que década de farra essa, hem gente?

Dezesseis anos cravados, lato senso, e, em 1987, batemos (ou surramos) os 5 bilhões - só faltou fazer fileira por um e cantar hinos especialmente escritos para a ocasião.

Daqui a 6 anos, em 2010, seremos 7 bilhões, se tudo correr mal, ou seja, um desses desastres hollywoodianos não nos invadir com ondas gigantes ou letais homenzinhos verdes de Marte.

Um dado para dar aflição a todos: de 20 em 20 minutos, o mundo recebe mais 3 mil habitantes, em geral pobres e precisando de disco de roqueiro inglês para passar um Natal ou Ramadã decente.

Um dado igualmente assustador no meio disso tudo: 0,5% da população masculina deste abarrotado planeta é descendente do conquistador mongol, Genghis Khan, que, segundo consta, forjou um império que ia do Japão ao mar Cáspio e, nele, além do saque e da matança, espalhou seus cromossomas. O que não chega a explicar nossa desenfreada proliferação.

Gente, pare com isso!

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