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UE terá que se decidir entre apoiar Rússia ou democracia, diz 'Le Monde' | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Com o agravamento da crise política na Ucrânia, os jornais europeus dedicaram seus editoriais aos efeitos que os desdobramentos podem ter para o continente e à relação entre líderes da União Européia e o presidente da Rússia, Vladimir Putin. Na França, o Le Monde diz que a União Européia terá que fazer uma escolha que ela gostaria de evitar: "fortalecer suas relações com a Rússia ou apoiar a democracia na Ucrânia". Com o texto intitulado "Salvar a Ucrânia", o jornal francês diz que os europeus "estão tendo dificuldades em esconder o seu constragimento". O El País, da Espanha, afirma que "a possível desestabilização da Ucrânia pode comprometer para sempre a relação, que se deteriora cada vez mais, entre a Rússia e a União Européia". "A solução pacífica para a crise tem que incluir o reconhecimento de que não se pode impor um presidente eleito de maneira fraudulenta a um país", diz o jornal. Rússia x EUA Na Alemanha, o Frankfurter Rundschau afirma que tanto a Rússia quanto os Estados Unidos estão tentando usar a divisão na Ucrânia em seu próprio benefício. Segundo o diário, o interesse dos Estados Unidos na Ucrânia deve ser visto como uma tentativa de "limitar a influência da Rússia". Na República Checa, o jornal Pravo diz que Vladimir Putin não está à vontade com o apoio estrangeiro à oposição ucraniana. De acordo com o Pravo, Putin vê esse apoio "como mais uma tentativa de frear a Rússia, especialmente depois que os países bálticos se juntaram à Otan". Na Ucrânia, o jornal Den, pró-governo, afirma que "o próprio fato de que, apesar da tensão social, nenhuma gota de sangue foi derramada é uma prova de que aconteceu uma revolução na Ucrânia". "É uma revolução nas mentes das pessoas, que perceberam que a democracia está em suas mãos", afirma. O Ukrayina Moloda, que é de oposição, diz que como o parlamento não conseguiu tomar nenhuma decisão até agora, "a única fonte de poder na Ucrânia é a sua população". Maturidade Na Rússia, o Nezavisimaya Gazeta diz que a sociedade ucraniana "é muito mais madura do que a sua vizinha Rússia". "Uma das razões é que os ucranianos conseguem o que os russos não conseguem: combinar nacionalismo com aspirações à liberdade". "Parabéns, ucranianos. Nós não temos nada a ensinar a vocês", diz o jornal. O Novaya Gazeta, também russo, diz: "Quem quer que seja o vencedor na Ucrânia, a Rússia já perdeu". Brasil O jornal Financial Times, da Grã-Bretanha, traz uma reportagem em que detalha os planos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de construir um sistema de canais de irrigação no sertão nordestino "para terminar com uma das maiores ondas de migração do mundo". O Financial Times conta que, meio século atrás, o próprio Lula "abandonou a região que parece um deserto numa viagem épica de 13 dias para São Paulo, na carroceria de um caminhão". Segundo o jornal, o presidente defende o custo da obra, cerca de R$ 5 bilhões, afirmando que custaria mais não realizar o projeto. Mas o Financial Times afirma que há riscos para a iniciativa: "Não há garantias de que o sucessor de Lula completará o projeto, condenando-o ao mesmo destino de outros elefantes brancos abandonados na região. A construção dos dutos que trariam a água a pequenas cidades depende largamente de governos estaduais, que podem não ter dinheiro ou vontade de fazer isso, particularmente naqueles Estados governados por partidos de oposição". Na França, o Le Monde traz uma reportagem sobre o Brasil em que começa falando sobre um ataque sábado a um acampamento de sem-teto no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, que deixou cinco mortos e 13 feridos. Em seguida, o jornal passa a falar da "prefeita em fim de mandato de São Paulo, Marta Suplicy, que atribui o fracasso de sua reeleição à política econômica". O Le Monde fala em mal-estar no governo e cita a saída de vários integrantes dos altos escalões nas últimas semanas como um sinal de crise. O diário francês conclui a reportagem sobre o Brasil falando da crise gerada pela decisão do prefeito do Rio, César Maia, de se candidatar à presidência em 2006. E termina dizendo: "Nas cidades, as prioridades da opinião pública não são a terra nem a fome, mas o emprego e a segurança". |
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