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General prevê 6 mil militares até o fim do ano no Haiti | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O comandante das tropas de paz da ONU no Haiti (Minustah), o general brasileiro Augusto Heleno Ribeiro, afirmou que espera terminar o ano com a presença de seis mil militares estrangeiros no país, quase 90% do efetivo inicialmente autorizado pelas Nações Unidas. “No final de dezembro devo estar com um efetivo aproximado de seis mil homens aqui no Haiti. Pode não chegar a 6,7 mil (total previsto pela ONU), mas vai estar próximo disso”, desse o general Heleno nesta segunda-feira, em entrevista por telefone à BBC Brasil. “Nos próximos 30 dias, calculo que receba 1,2 mil homens”, completou. Os reforços virão de países como Equador, Espanha, Guatemala, Jordânia, Marrocos, Nepal e Sri Lanka, atendendo parte dos repetidos apelos do general por mais tropas feitos nos últimos meses. Balanço de forças Nas últimas duas semanas, pelo menos cinqüenta pessoas morreram em todo o país durante confrontos violentos. O governo haitiano atribui a violência no país a grupos que apóiam o ex-presidente Jean-Bertrand Aristide, forçado a deixar o país após uma revolta armada no início do ano. O comandante acredita que a situação tende a melhorar nas próximas semanas. Com o aumento da instabilidade, as tropas da ONU começaram a fazer uso mais intenso do patrulhamento com helicópteros na capital Porto Príncipe e procuram ocupar pontos estratégicos, ainda que com um número aquém do necessário. “Hoje (segunda-feira) está calmíssimo, ontem estava calmíssimo, sábado estava calmíssimo. Mas aqui as coisas podem acontecer rapidamente. Existe um potencial de violência, que pode se desencadear de uma hora para a outra”, afirmou Heleno. Sem comentários No sábado, o general brasileiro fez crítica ao candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, John Kerry. De acordo com o general, Kerry teria contribuído para o agravamento da violência no Haiti, ao gerar uma "falsa esperança" de que Aristide pode voltar a liderar o país. Heleno agora evita retomar a questão. “Assunto encerrado! O que eu tinha que falar já falei”, disse. Depois de conversar com a BBC, o Itamaraty divulgou uma nota com declarações do general Heleno. "Como soldado, sou absolutamente apolítico. Lamento que minhas palavras tenham sido mal-interpretadas e mal-compreendidas. Foram consideradas fora do contexto no qual foram ditas. Não tive a intenção de interferir na política interna de nenhum país membro das Nações Unidas. As declarações são minhas e não refletem a posição do Brasil nem das Nações Unidas", diz a mensagem. Segundo dados da Minustah, o general Heleno tem atualmente 3.092 militares sob seu comando. A Força Civil internacional, que não é comandada pelo brasileiro, conta com 583 policiais dos 1.622 esperados. O Brasil é responsável pelo maior número de homens em operação (1197). Também participam Uruguai (573), Argentina (552) ,Chile (428), Nepal (129) e Sri Lanka (128). O efetivo ainda é composto por outros 65 militares do quadro de pessoal do Quartel General da Minustah. A previsão é de que 43 países participem na constituição dessa força civil internacional. |
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