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Candidato do Uruguai à direção-geral da OMC diz ter perfil ideal | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ex-presidente do Conselho da Organização Mundial do Comércio (OMC), Carlos Pérez del Castillo, candidato do Uruguai à direção-geral da entidade, diz ter o perfil ideal para levar adiante a Rodada Doha de Desenvolvimento, e que o lançamento de um candidato brasileiro para o cargo desvia a atenção das negociações comerciais para "discussões desnecessárias e estéreis sobre quem será o novo diretor-geral". Em entrevista à BBC Brasil, Pérez del Castillo evitou criticar o candidato brasileiro, o embaixador Luis Felipe Seixas Corrêa, mas insistiu que tem 30 anos de experiência em comércio e negociações internacionais, conhece muito bem a OMC e acredita ser a pessoa certa para o cargo. "Não sei por que neste momento se lança uma candidatura brasileira. Somos membros do Mercosul, somos países irmãos, e como eu conto com um sólido respaldo da quase totalidade dos países da América do Sul e da América Central, eu não entendo as razões", afirmou. A resistência brasileira a Pérez del Castillo, cuja candidatura foi lançada em março deste ano, vem da atuação do diplomata uruguaio durante a reunião ministerial de Cancún, no ano passado, quando ele apresentou um texto base para negociações agrícolas que desagradou ao governo brasileiro e a outros países interessados na liberalização dos mercados dos países desenvolvidos. Críticas Em carta aberta divulgada neste domingo, o uruguaio rebateu as críticas brasileiras dizendo que a escolha do novo diretor-geral deveria se basear nas virtudes de cada candidato e não na tentativa de desqualificar os competidores. O lançamento de um candidato brasileiro em vez da adesão ao candidato uruguaio é mais um sinal da falta de unidade entre Brasil e Uruguai, apesar de os dois integrarem o Mercosul. O Uruguai é o único país do bloco que não aderiu ao G-20, o grupo formado por iniciativa de Brasil, Índia e África do Sul na reunião de Cancún para pressionar pela abertura dos mercados agrícolas. O presidente do Uruguai, Jorge Battle, será substituído nas eleições presidenciais que acontecem em duas semanas. Mas Pérez del Castillo, que depois de deixar o cargo de presidente do Conselho da OMC passou a atuar como assessor da Presidência da República do Uruguai para questões de negociações comerciais, afirma que o resultado das eleições não vai influenciar a disputa pela sucessão na OMC. "Minha candidatura é do Uruguai, não é de um partido. Ganhe quem ganhar, eu sou o candidato do Uruguai", afirmou. Embora admita que o lançamento de dois candidatos da mesma região possa dividir os votos e favorecer um outro candidato, o embaixador uruguaio acredita que a América Latina tem chances de eleger o novo diretor-geral da OMC. "A América Latina nunca ocupou a direção da OMC desde a criação do Gatt (Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio), em 1948", analisa. "Por outro lado os latinoamericanos e os uruguaios em particular foram sempre favoráveis ao multilateralismo." Se eleito, ele tem sua própria agenda de reformas, mas não inclui entre elas o voto ponderado proposto por alguns países desenvolvidos, porque acha que isso reduziria ainda mais a representatividade dos pequenos. Ele defende a realização de reuniões menores, anuais, em vez das grandes reuniões bianuais que exigem meses de preparações e por vezes não chegam a conclusões, como aconteceu em Cancún. "Com este fracasso o que estamos agredindo é o multilateralismo e a própria credibilidade da organização", afirma. "Eu tenho as minhas idéias. Não creio que seja o momento de colocá-las todas sobre a mesa, mas tenho minhas idéias e sei que são viáveis", diz ele. A eleição acontecerá em 2005. |
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