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Atualizado às: 01 de agosto, 2004 - 00h17 GMT (21h17 Brasília)
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Países da OMC fecham acordo para liberalizar comércio
colheita de algodão
Subsídios agrícolas são um dos principais entraves nas negociações
Os países da Organização Mundial do Comércio (OMC) fecharam um acordo que vai permitir a retomada da Rodada de Doha de negociações comerciais.

Países-chave da organização, incluindo o Brasil, aceitaram propostas para o corte de subsídios que os países desenvolvidos dão para a agricultura.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, elogiou o acordo.

“É um bom negócio para todos, para a liberalização do comércio e para a justiça social… com a eliminação dos subsídios”, disse Amorim.

Atraso

“Antes tarde do que nunca”, disse o porta-voz da OMC, Keith Rockwell, após a reunião que durou 24 horas a mais do que o esperado.

“É uma boa notícia para a economia mundial, para os países em desenvolvimento e para a Europa”, disse Pascal Lamy, comissário de Comércio da União Européia, após a votação do acordo.

A reunião se estendeu pela noite de sábado após os negociadores terem falhado em chegar a uma decisão dentro do prazo inicial de sexta-feira.

O correspondente da BBC em Genebra, John Moylan, disse que apesar da aprovação, o acordo se encontra em seus estágios iniciais e os detalhes ainda podem levar dois anos para serem finalizados.

G-20

“Os países desenvolvidos perceberam que o comércio agrícola com um subsídio pesado não é comércio livre”, disse o ministro do Comércio da Índia, Kamal Nath.

Um pequeno grupo de países africanos também conseguiu um importante avanço envolvendo suas produções de algodão, disse Moylan.

Após horas de negociações, países-chave como Estados Unidos, União Européia, Brasil e Japão chegaram a um acordo sobre a eliminação de subsídios nas exportações – em data ainda a ser determinada–, a limitação de outros subsídios e a redução de barreiras alfandegárias.

Países desenvolvidos, como os membros da União Europeia, querem um maior acesso aos mercados de países em desenvolvimento.

O acordo de Genebra deve reviver as negociações para a fixação de novas regras do comércio mundial, que estão sendo negociadas dentro desta rodada, lançada em novembro de 2001, em Doha, no Qatar.

As negociações estão paralisadas desde o encontro ocorrido em Cancum, no ano passado.

O G-20 (atualmente conhecido como G-24), grupo que representa alguns dos principais países em desenvolvimento do mundo, entre eles o Brasil, teve grande influência nas discussões, tanto em Cancún, quanto nas deste final-de-semana em Genebra.

“Depois de Cancún, o G-20 foi visto como uma força destrutiva. Agora é considerado parte fundamental para o acordo, então tire suas próprias conclusões”, disse Amorim.

Pressa

De acordo com o Banco Mundial, se bem-sucedido, o acordo pode injetar US$ 520 bilhões na economia mundial até 2015, se as nações cortarem suas tarifas.

O banco acredita que os maiores beneficiados seriam os países em desenvolvimento.

Analistas consideram vital que um acordo seja fechado antes de 2007 quando o conjunto de leis americanas conhecido como "Fast Track", que tem o objetivo de facilitar acordos comerciais, deve deixar de vigorar.

Sem essas leis, que limitam o poder do Congresso americano de alterar acordos comerciais negociados por Washington, existem poucas chances de que os Estados Unidos vão adotar um novo pacto.

Especialistas dizem que, na ausência de um consenso, o sistema de comércio mundial se fragmentaria em acordos regionais e bilaterais.

Isso tornaria mais difícil a inclusão de países em desenvolvimento.

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