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Meirelles: nova linha de crédito não sai no curto prazo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, admitiu que a proposta do Brasil de criação de uma linha de crédito emergencial no Fundo Monetário Internacional (FMI) ainda vai exigir muita discussão antes de uma decisão ser tomada. "Não há duvida de que isso enfrenta muitas resistências. Eu não vou singularizar nenhum país, mas é evidente que muitos países se questionam até que ponto o fundo deveria adotar estas medidas, porque isso leva à alocação de capitais para fins específicos", disse o presidente do BC. "É uma discussão em andamento e nós vamos continuar trabalhando na expectativa de eventualmente os países que são contra mudarem de posição. Mas não é algo de curto prazo." Meirelles não quis responder, no entanto, se ele acredita na possibilidade de esta linha de crédito estar disponível antes do fim do atual acordo do Brasil com o FMI, que expira em março. Monitoramento Questionado sobre o assunto, o diretor-gerente do fundo, Rodrigo de Rato, disse que a criação da linha estaria envolvida em um processo mais complexo que pelo qual a instituição está passando. "O fundo já tem linhas precaucionárias e a criação de um novo mecanismo depende das definições sobre a forma que terá o sistema de monitoramento do FMI. É uma coisa para o futuro", disse De Rato. Em discurso, De Rato havia dito que o FMI "precisa poder dizer não" a alguns empréstimos, para que os países sejam incentivados a terem políticas econômicas saudáveis. Meirelles disse em entrevista coletiva que não havia percebido nesta frase do diretor-gerente nenhuma referência à idéia de novas linhas de crédito. "Nós entendemos (que De Rato quis dizer) que a ajuda não pode ser incondicional e automática e que os países têm de ter consciência de que não é em todas as crises que vão poder contar com a ajuda do Fundo. Mas nós estamos falando (no caso da linha de emergência) de países que estejam adotando políticas monetárias e fiscais sólidas mas que tenham de enfrentar algum problema provocado por crises internacionais", disse Meirelles. Além da proposta brasleira, existe também uma idéia alternativa apresentada pela União Européia para criação da linha de emergência. Os europeus, no entanto, querem um controle mais rígido do FMI sobre os países que se qualificarem para ela e que haja mais restrições a liberação do dinheiro. Reservas Meirelles disse que uma das vantagens da existência de uma linha precaucionária de crédito é que ela permitiria aos países qualificados para tomarem estes recursos administrarem melhor seus níveis de reservas internacionais. "Ter reservas internacionais é um seguro para fazer frente a situações em que o fluxo de capitais saindo do país seja maior do que o fluxo de capitais entrando. Se o país tem à disposição uma linha de crédito emergencial para fazer frente a estas situações, pode administrar melhor suas próprias reservas internacionais", disse Meirelles. Em relação à proposta brasileira de mudanças nos cálculos que permitam maiores gastos em infra-estrutura, Meirelles disse que se trata de uma "discussão em andamento". "A cada reunião há diferentes temas que catalizam mais a atenção.O tema dos investimentos em infra-estrutura já foi apresentado e está sendo discutido pelos diretores do FMI", disse Meirelles. Nesta segunda-feira o presidente do BC participa, em Washington, de almoço promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos e no fim da tarde faz uma palestra na Universidade Georgetown. Na terça-feira, Meirelles vai para Nova York onde faz mais uma apresentação, no Conselho das Américas. |
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