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Atualizado às: 17 de setembro, 2004 - 23h31 GMT (20h31 Brasília)
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Mercado teme 'politização' do BC argentino

O ex-presidente do Banco Central argentino Alfonso Prat-Gay
Mandato de Prat-Gay não foi renovado pelo presidente Néstor Kirchner
Economistas entrevistados pela BBC Brasil lamentaram a saída de Alfonso Prat-Gay da presidência do Banco Central (BC) da Argentina e temem que, a partir de agora, a autoridade monetária seja controlada pelo poder político.

Tanto o economista Aldo Abram, da consultoria Exante, quanto economista Raul Ochoa concordaram que a substituição de Prat-Gay por Martín Redrado, até então vice-ministro das Relações Exteriores, tranqüilizou o mercado.

Mas, ainda assim, há preocupação quando ao rumo que será dado ao BC. "O importante é manter a autonomia do Banco Central argentino, como Prat-Gay vinha fazendo com extremo cuidado e sem fazer alarde", disse Ochoa.

"Martín Redrado vai precisar de tempo para mostrar que tem a mesma capacidade técnica que Prat-Gay. Não vai ser fácil, já que o que está saindo conhecia o mercado financeiro por dentro, porque nele trabalhou", completou Aldo Abram.

Lavagna

Na opinião de Abram, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, saiu fortalecido com a saída de Prat-Gay.

"O problema é que quem perde é o país com a saída de um homem que vinha praticando uma excelente política monetária", disse.

Ochoa, por sua vez, acha que Lavagna não perde nem ganha com a mudança. "O importante agora é evitar questões que gerem inflação", afirmou.

Alfonso Prat-Gay, de 37 anos, assumiu o cargo em 2002. Seu mandato vencia na próxima semana, mas o presidente Néstor Kirchner preferiu não renová-lo.

 Eu, sinceramente, lamento a saída de Prat-Gay, mas não acredito que ela resultará em mudanças no rumo da economia.
Raul Ochoa

Nos bastidores do governo, fala-se que disputas internas entre Prat-Gay e Lavagna foram um dos motivos que levaram à sua saída.

Prat-Gay discordava de Lavagna sobre o andar das negociações para se colocar um ponto final na moratória da dívida pública privada argentina, de cerca de US$ 100 bilhões, declarada em dezembro de 2001.

Para ele, o governo não deveria perder mais tempo e já deveria ter chegado a um acordo com credores, há pelo menos dois anos.

Posição diferente de Lavagna, que vem ganhando tempo nestas negociações e recebendo críticas do Fundo Monetário Internacional (FMI) e dos próprios donos
daqueles papéis.

Prat-Gay , Lavagna e o próprio Kirchner também discordavam sobre a nomeação da nova diretoria do Banco Central. "Prat-Gay defendia uma equipe de técnicos e eles de políticos. Daí meu temor que o BC acabe de perder, a partir de agora, sua independência", afirmou Aldo Abram.

Nas três entrevistas coletivas que concedeu nessa sexta-feira para falar de outros assuntos, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, mostrou-se sorridente, apesar de evitar comentar o assunto.

"Temos assuntos mais importantes", alfinetou.

Perfil

Prat-Gay é dono do chamado "bajo perfil" (discreto, na opinião dos argentinos) e, portanto, avesso a entrevistas.

Seu provável sucessor, Martín Redrado, um dos fundadores da consultoria Fundação Capital, era até esta sexta-feira o número dois do Ministério das Relações Exteriores e, dificilmente, rejeitava conceder uma entrevista.

Em seu lugar, na Chancelaria Argentina, assumiu o economista Javier Gonzalez Fraga, ex-presidente do Banco Central, crítico do ex-ministro Domingo Cavallo e que tinha sido cotado para ser ministro da Economia do governo Kirchner, mas perdeu o cargo para Lavagna.

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