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Lula minimiza crise comercial com a Argentina | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tentou minimizar a crise entre Brasil e Argentina no final da Cúpula do Mercosul, que terminou na quinta-feira na cidade argentina de Puerto Iguazú. “Deus queira que outros problemas aconteçam por conta do nosso crescimento econômico, por conta do aumento das exportações, por conta do crescimento da produção industrial dos nossos países”, afirmou o presidente. “O importante é que Argentina e Brasil têm consciência de que a indústria brasileira precisa crescer, que a Argentina precisa crescer e que o comércio precisa crescer em dupla mão para que os dois países possam tirar proveito desse crescimento econômico.” A polêmica se deve à decisão do governo argentino de cancelar licenças automáticas para a importação de eletrodomésticos feitos no Brasil e impor uma tarifa de 21% sobre televisores produzidos na Zona Franca de Manaus. Fontes do Itamaraty também buscaram minimizar a questão, dizendo que o país pode até se beneficiar caso o país vizinho continue crescendo, já que isso poderia ampliar as importações em outros setores. Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, o governo está “trabalhando no sentido de voltar à mesa de negociações e encontrar uma solução razoável para os dois lados”. Governos e setores privados dos dois países discutem o assunto na quarta-feira e quinta-feira da próxima semana em Buenos Aires. As barreiras às importações de eletrodomésticos, apesar de já aprovadas, ainda precisam ser regulamentadas antes de ser aplicadas. Regras Pelos acordos de preferências comerciais entre os países do Mercosul, ao impor barreiras para a entrada dos produtos brasileiros, a Argentina deve abastecer o mercado interno com produtos de outros países do bloco ou fabricados em seu território. Informalmente funcionários do Itamaraty disseram que documentos apresentados pelos argentinos nas discussões que culminaram com o anúncio das medidas não convenceram os negociadores brasileiros de que a indústria argentina terá capacidade de atender o aumento de demanda interna. Mas, apesar do tom diplomático brasileiro, os discursos do presidente argentino, Néstor Kirchner, reservaram críticas ao Brasil. No último dia do encontro, Kirchner repetiu as declarações de seu chanceler Rafael Bielsa, afirmando que os países do Mercosul precisam ser nivelados para competir em igualdade de condições. Kirchner destacou que a presidência argentina do Mercosul, exercida no primeiro semestre, obteve importantes avanços nas negociações de livre comércio com a União Européia, mas reclamou das obstáculos impostos pelo Brasil - nunca citando o nome do país vizinho. “O avanço dos capítulos de investimentos, serviços e compras governamentais ficou condicionado a restrições que impuseram alguns Estados membros do Mercosul, o que gerou importantes dificuldades no entendimento com a União Européia”, afirmou. Do lado brasileiro, o ministro Furlan sugeriu que o Brasil pode estar escondendo as armas de uma guerra comercial que diz querer evitar. “Eu tenho quatro medidas prontas aqui também do Brasil, as equipes técnicas fazem as medidas que quiserem e compete ao ministros que têm responsabilidade política e aos presidentes autorizar ou não”, disse Furlan, sem querer adiantar as medidas. Quanto à possibilidade de a Argentina adotar barreiras no setor têxtil, o ministro disse que os dois países já passaram por um processo de negociação e que, “se os dois países não honrarem o acordo, seria um balde de gelo em cima das outras negociações”. |
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