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Atualizado às: 31 de agosto, 2004 - 23h43 GMT (20h43 Brasília)
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Acordo é 'indispensável' para Argentina, diz Rato

Roberto Lavagna e Rodrigo de Rato
Lavagna e Rato se reuniram em Buenos Aires
O diretor-gerente do FMI, Rodrigo Rato, disse nesta terça-feira em Buenos Aires que um acordo da Argentina com seus credores é “indispensável” para que o país volte a crescer de forma sustentável e atrair investimentos.

"É importante que a Argentina recupere sua normalidade com os mercados financeiros, que normalize seu acesso aos mercados financeiros e por meio deles gere empregos e diminua a pobreza", cobrou Rato.

Em encontros com o presidente argentino, Néstor Kirchner, com o ministro da Economia, Roberto Lavagna, e com o presidente do Banco Central argentino, Alfonso Prat-Gay, Rato discutiu a questão da dívida e ouviu das autoridades argentinas o pedido de adiamento de parte dos vencimentos que o país tem com o fundo neste ano.

"Prometemos analisar esse pedido", disse ele.

Dívida

Segundo assessores da Casa Rosada, no encontro com o diretor do Fundo, Kirchner se comprometeu a pagar até janeiro uma parcela de US$ 1,4 bilhão ao organismo multilateral de crédito, evitando que o país caia em moratória também com o FMI.

Mas Kirchner pediu refinanciamento de outros US$ 1 bilhão da dívida que também vence este ano, com o Fundo.

Segundo versões que circularam no governo federal, Rodrigo Rato teria pedido a Kirchner maior superávit fiscal para o ano que vem, o que obrigaria redução nos gastos do país.

Dívida argentina
Moratória com credores privados desde dezembro de 2001
Dúvida, com juros, pode superar US$ 100 bilhões

Assessores da Casa Rosada afirmaram que esse foi um momento de tensão do encontro, o que não foi confirmado por auxiliares do Fundo.

Kirchner teria descartado a possibilidade de elevar a meta atual de 3% deste superávit. "De jeito nenhum. Dessa meta, não passamos", teria afirmado.

Giro

A capital argentina foi a primeira escala da visita do número um do FMI a países da América do Sul. Antes de chegar ao Brasil, na quinta-feira, Rato irá visitar também o Uruguai e o Chile.

Quando perguntado pela BBC Brasil sobre a possibilidade de a moratória argentina abrir precedente para outros países e sobre quais são, na opinião dele, as diferenças entre as economias entre Brasil e Argentina, Rato respondeu: “Esperemos que a Argentina atinja a normalidade que já existe em outros países da América Latina”.

A Argentina está sendo considerada a parte mais delicada desta primeira viagem de Rato à região.

Tanto Kirchner quanto o ministro Lavagna dispararam críticas públicas ao organismo multilateral de crédito, antes de pedirem, oficialmente, a suspensão da revisão das metas do acordo em vigor, assinado no ano passado.

A visita de Rato a Buenos Aires foi marcada por protestos, convocados para mostrar repúdio à presença do diretor-gerente no país e para pedir a libertação de um líder manifestante preso na semana passada.


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