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'Protecionismo nos EUA continuará', diz Skidmore | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O brasilianista Thomas Skidmore disse que o Brasil não vai sentir grandes diferenças se os democratas substituírem os republicanos na Presidência americana. "Eu acho que a mudança de governo nos Estados Unidos não vai trazer grandes mudanças para o Brasil porque o que interessa mesmo são as relações comerciais. O governo proteger os interesses agrícolas dos americanos vai continuar com democratas ou republicanos." "O Brasil tem de negociar. Eles não vão mudar isso de graça para o coitadinho do Brasil ou para a coitadinha da América Latina", afirmou o teórico da Universidade Brown, em Rhode Island (EUA). Bush Skidmore espera, no entanto, que uma troca de comando na Casa Branca melhore o "clima" em torno dos Estados Unidos e facilite o contato dos americanos com todo o mundo, incluindo aí o Brasil. O estudioso diz que, "obviamente", é democrata. Ao buscar no vocabulário de seu ótimo português como definir o presidente George W. Bush, começou com um palavrão. "Para nós, esse presidente é muito arrogante e essa história de só favorecer os ricos, insultar os estrangeiros e fazer uma guerra malpensada é horrível. Isso não faz sentido", disse Skidmore. Mas Skidmore insiste que, no caso do Brasil, o que interessa são a economia e as negociações comerciais. Haiti "O mais importante é o intercâmbio econômico. Essas questões de política externa do Brasil são secundárias", opinou. "O Brasil pode fazer um gesto bonito, como está fazendo agora no Haiti, mas isso é muito secundário." No campo econômico, Skidmore diz que o governo Lula está fazendo coisas "interessantes". As negociações com a União Européia e com a China são dois exemplos citados pelo brasilianista. Lula Skidmore diz, no entanto, que, desde que chegou ao poder, o Partido dos Trabalhadores (PT) mudou mais sua própria visão do mundo do que o Brasil mudou. "O (ministro da Fazenda, Antonio) Palloci conseguiu impor todo o regulamento dos Estados Unidos e do FMI. Isso foi o oposto do que foi prometido pelo PT e, fazendo isso, o Brasil fica prisioneiro econômico da dívida externa", disse. "Para os petistas mais fervorosos, é uma frustração danada", comenta. Mas o pesquisador diz que não vê grandes revoltas no horizonte porque o povo brasileiro é "paciente". Paciência "Eu estou estudando o Brasil há mais de 40 anos, e a paciência dos brasileiros é impressionante. Não sei se a paciência vai continuar para sempre, mas, no momento, não é um traço do brasileiro ficar muito zangado e fazer um movimento ou fazer uma revolução", disse. "Então acho que o Brasil pode continuar nessa situação de estagnação econômica por muito tempo." Para promover o crescimento sustentado, Skidmore diz que é essencial o Brasil aumentar seu nível de investimento "dos atuais 18% (do Produto Interno Bruto) para 25% ou 30%". "Foi assim que a Coréia do Sul conseguiu se desenvolver", disse. Para aumentar o investimento, Skidmore diz que o consumo tem de diminuir. "Tenho certeza que vou ser muito atacado por dizer isso, mas a classe média brasileira é muito consumista", disse o brasilianista. Para o pesquisador, a solução para o crescimento de longo prazo é transformar parte desse consumo em investimento. "Mas ninguém sabe como fazer isso. Está faltando no Brasil a imaginação criadora, como disse uma vez (o ex-presidente) Fernando Henrique Cardoso", disse Skidmore. FHC Para Skidmore, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, professor-visitante da Universidade Brown e amigo do pesquisador, acalenta a idéia de voltar ao poder no Brasil. "É muito claro que Fernando Henrique gostou muito de ser presidente até o fim de seu governo. Ele nunca disse isso, mas eu acredito que ele pense em voltar à Presidência." Para o americano, Fernando Henrique Cardoso tinha planejado reformas que ainda gostaria de concluir. "Ele queria um segundo mandato para fazer coisas que não pôde fazer porque ficou preso àquela política monetária horrível do (ex-presidente do Banco Central) Gustavo Franco", disse. Thomas Skidmore estuda o Brasil desde o início dos anos 60 e é considerado um dos mais importantes brasilianistas dos Estados Unidos, além de ser também muito respeitado nos meios acadêmicos brasileiros. Gerações de estudantes no Brasil utilizaram e ainda utilizam os livros do pesquisador. Brasil de Getúlio Vargas a Castelo Branco e Brasil de Castelo a Tancredo são os dois mais conhecidos. |
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