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Protecionismo custa bilhões ao mundo, diz Unctad | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O mundo poderia gerar anualmente US$ 225 bilhões em riquezas se todos os países abrissem completamente os mercados agrícola e têxtil e liberalizassem ligeiramente o mercado de mão-de-obra, de acordo com dados apresentados nesta quarta-feira pela divisão de comércio da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desevolvimento, a Unctad. De acordo com a diretor da Divisão Internacional de Comércio, Bens e Serviços da Unctad, Lakshmi Puri, "se a cota de movimento de pessoas para trabalhos temporários da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) tivesse um aumento de 3%, os ganhos para a população mundial, em termos de melhorias de suas condições de vida, seriam da ordem de US$ 160 bilhões ao ano". Sempre apresentando estimativas de ganhos anuais, Puri disse que a abertura do mercado têxtil criaria 27 milhões de empregos, o equivalente à soma das populações de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. "A liberalização dos produtos têxteis provocaria um incremento de renda de US$ 24 bilhões, sendo que as vendas aumentariam em US$ 40 bilhões, gerando 27 milhões de empregos nos países em desenvolvimento", declarou a diretora da Unctad. Agrocomércio Lakshmi Puri apresentou ainda outro exemplo do que o mundo deixa de ganhar por causa de "barreiras comerciais, ecológicas e fitossanitárias". "Estimamos que o fim dos subsídios e a remoção de barreiras comerciais dos países desenvolvidos geraria um ganho da ordem de US$ 1,65 bilhão em melhoria das condições de vida, sendo que 30% desses recursos "E os ganhos comerciais desta liberalização seriam da ordem de US$ 25 bilhões por ano, sendo que 25% deste total ficaria com os países em desenvolvimento." Pelos dados apresentados, os mesmos países que gastam com subsídios para seus agricultores também seriam beneficiados pela abertura. Os ganhos anuais de produtividade e de melhoria das condições de vida da população seriam de US$ 18 bilhões nos Estados Unidos e de US$ 25 bilhões na Nigéria Ao lado de Puri, o ministro do Comércio da Nigéria, Idris Adanu Danjuma Wazairi, reforçou o coro dos países que pedem mais acesso ao mercado dos ricos. "O objetivo desta conferência é o desenvolvimento por meio do comério, mas como vamos vender se não há mercado? Se os agricultores de algodão nos Estados Unidos recebem tantos subsídios, como os nossos poderão competir com eles?", perguntou em tom de indignação. "Vocês", disse Wazairi se dirigindo aos países ricos, "ao criarem seus mecanismos de proteção, estão gerando pobreza no meu país." Ele pediu união aos países emergentes e disse que o desenvolvimento e a distribuição de riquezas deve ter prioridade em relação a preocupações como comércio e democracia. "Para que a democracia sobreviva", declarou Wazairi, "precisamos primeiro encher a barriga." |
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