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Reunião do Mercosul foi um fracasso, dizem analistas | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Foi um fracasso a reunião do Mercosul esta semana em Puerto Iguazú (Argentina), na opinião de analistas argentinos entrevistados pela BBC Brasil. O ex-secretário da Indústria Dante Sicca, especialista em integração regional, diz que o encontro não tratou de temas importantes que estavam na agenda definida no ano passado para eliminar as diferenças entre os países-membros. Ele afirma que o bloco está repetindo os mesmos problemas dos tempos da sua criação, que o comércio entre seus sócios vem caindo e que tanto o Brasil quanto a Argentina procuram cada vez mais ligações comerciais com terceiros países. Segundo os especialistas, em termos práticos, a decisão mais importante do encontro foi a criação do Tribunal Permanente de Revisão para Resolução de Controvérsias, que passará a funcionar a partir do dia 15 de agosto em Assunção, no Paraguai. Agenda O Mercosul, lembra Sicca, já representou 18% do comércio brasileiro. Hoje, limita-se a 8%. Para a Argentina, representava 25% e hoje não passa de 15%. O próprio vice-ministro das Relações Exteriores da Argentina, Martín Redrado, disse que seu país passou “muito tempo” olhando apenas para o Mercosul. Sicca observa que, para tentar reverter a situação, foi definida no ano passado uma agenda para eliminar as diferenças internas entre 2004 e 2006. “Essa agenda avançou pouco ou nada, e temas importantes que deveriam ter sido tratados nessa última reunião não saíram do papel”, diz Sicca. “É o caso, por exemplo, da eliminação da dupla cobrança de tarifas para produtos importados pelo bloco.” 'Tudo na mesma' Dante Sicca e os também economistas Carlos Melconian e Orlando Ferreres, ex-secretário de Fazenda da Argentina, entendem que as medidas protecionistas adotadas pelo governo argentino contra os eletrodomésticos brasileiros, que tanta tensão geraram durante a reunião, são apenas de emergência. Para Ferreres, as medidas protecionistas vão colocar um freio na “avalanche” de produtos brasileiros que estão chegando à Argentina, mas ele afirma que as crises setoriais vão continuar enquanto os países não contarem com uma estratégia de integração macroeconômica. “O Mercosul ainda não é um mercado comum”, diz Ferreres.” Outros problemas “estruturais”, e não “conjunturais”, são mais relevantes, de acordo com analistas. Para Melconian, por exemplo, se os integrantes do bloco estivessem “levando a sério” a integração, já haveria o livre trânsito de pessoas pelo menos entre os quatro principais sócios – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. “Enquanto estiverem exigindo documentos e revirando as bolsas dos passageiros que vão passar até um dia em São Paulo ou em Montevidéu, esse Mercosul não existe”, disse ele. No governo do presidente Néstor Kirchner, considera-se que a disputa com o Brasil foi superada e espera-se que a iniciativa privada chegue a um entendimento. Na semana que vem haverá uma reunião entre representantes do setor de eletrodomésticos dos dois países. |
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