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Atualizado às: 07 de julho, 2004 - 11h13 GMT (08h13 Brasília)
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Barreiras argentinas 'ofuscam cúpula do Mercosul'

O presidente Lula e o presidente da Argentina, Néstor Kirchner
Reunião em Puerto Iguazú terá presença de Lula e Kirchner
O início da reunião de cúpula dos países do Mercosul, nesta quarta-feira em Puerto Iguazú, está sendo ofuscado pelo anúncio de medidas protecionistas por parte da Argentina contra produtos importados do Brasil.

Essa é a opinião de especialistas dos dois lados da fronteira.

“Atitudes como essas só servem para manchar a imagem do bloco no exterior. Mas (o ministro da Economia da Argentina, Roberto) Lavagna prometeu ao ministro (do Desenvolvimento, Luiz Fernando) Furlan que vai suspender as medidas”, reagiu Alberto Alzueta, da Câmara de Comércio Argentino-Brasileira, falando a uma rádio argentina.

Na opinião do ex-secretário de Indústria da Argentina, Dante Sicca, medidas protecionistas e de emergência, como as que foram anunciadas por Lavagna, não ajudam a fortalecer o Mercosul e muito menos a solucionar os problemas, que classificou de “estruturais”.

“Em 1994, toda a indústria de eletrodomésticos do Brasil era sete vezes maior que a da Argentina. Hoje, essa indústria brasileira é dezessete vezes maior que a da Argentina. Algum problema temos aqui”, disse Sicca.

Ele diz que a Argentina é dependente, por exemplo, das importações de geladeiras, já que possui apenas uma pequena fábrica do setor. “O problema é que em muitos casos a Argentina ou não produz ou precisa da compra externa para complementar sua demanda.”

Diante do risco de ofuscar a cúpula, o ministro Lavagna teria prometido ao governo brasileiro suspender as novas exigências até depois da reunião do Mercosul, que termina na quinta-feira. Mas no Ministério da Economia da Argentina ninguém confirmava a notícia.

Defesa

Membros do governo argentino e alguns industriais defenderam as medidas.

Segundo o vice-ministro das Relações Exteriores argentino, Martín Redrado, as barreiras estariam ajudando a “equiparar o campo de jogo” comercial entre os dois países, que seria desfavorável à Argentina.

A União Industrial Argentina (UIA) divulgou uma nota de apoio às medidas, informando que a decisão foi adotada após reunião dos industriais com o presidente Néstor Kirchner, há cerca de dez dias.

A nota diz que as barreiras são “a melhor maneira de aprofundar o Mercosul, sobre a base de acordos comerciais e a união entre Estados que permita o desenvolvimento industrial harmônico de todos e cada um dos países integrantes do bloco”.

Segundo dados oficiais, as importações globais da Argentina aumentaram 71% no primeiro semestre deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. As importações do Brasil aumentaram 75%.

O Centro de Estudos Bonaerenses (CEB), especializado em questões de comércio exterior, disse que nos últimos 13 meses a Argentina vem acumulando déficits seguidos na balança comercial com o Brasil, que somam US$ 1,1 bilhão.

São dados que contrastam com os dos registrados na década de 1990, quando o Mercosul tinha números recordes de comércio, mas era o Brasil que apresentava um grande déficit.

Roberto Lavagna, ministro da Economia da ArgentinaArgentina
Governo do país adota barreiras contra o Brasil.
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