|
Argentina defende transição para acordo automotivo | |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, reafirmou nesta quinta-feira em Brasília o compromisso do país com o livre comércio no setor automotivo do Mercosul, mas sem confirmar o cumprimento do prazo estabelecido pelo acordo automotivo. O compromisso firmado estabelece que o livre comércio deve entrar em vigor em 1º de janeiro de 2006. Nesta quarta-feira, a imprensa da Argentina divulgou uma declaração do presidente do país, Néstor Kirchner, dizendo que a data não seria respeitada - mas Lavagna negou que Kirchner tenha feito a afirmação. "De maneira alguma o presidente disse isso. Eu estava ao lado dele. Se eu disser que (o livre comércio no mercado automotivo está adiado) pareceria que estamos caindo fora do convênio. Não caímos fora do convênio", declarou Lavagna no fim do dia, após uma maratona de reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento), Antonio Palocci (Fazenda), Celso Amorim (Relações Exteriores) e José Dirceu (Casa Civil). "Há um acordo automotivo, que tem uma série de normas. Entre elas, o artigo 26, que diz que haverá uma avaliação dos resultados obtidos ao longo desses anos, para propormos e levarmos adiante políticas que corrijam eventuais desvios, e, em conseqüência, implicará em uma etapa de transição – o tempo não discutimos –, que seguramente seguirá com programas de investimentos e comércio, que assegurem o equilíbrio entre os dois países”, disse. “Em outras palavras, o que disse o presidente foi que vamos trabalhar em torno do artigo 26, basicamente para assegurarmos que os investimentos – e também os investimentos das novas plataformas, não somente dos automóveis, que já estão sendo fabricados –, se orientem a ambos países, (para) assegurar a expansão do comércio entre os dois países e, sobretudo, melhorar a competitividade da indústria automotiva do Mercosul frente a terceiros mercados”, acrescentou o ministro argentino. Compreensão brasileira Lavagna disse que as conversas que teve com o governo brasileiro foram "pensando na expansão do Mercosul" e no sentido de "ratificar o que sempre foi o objetivo do Mercosul, mesmo antes da existência do Mercosul, quando existia o acordo Argentina-Brasil, que negociamos em 86. Sempre foi para um desenvolvimento industrial conjunto e combinado. Por isso, não há por que fazermos (algo) fora do acordo". O representante argentino disse que leva de volta como resultado prático a Buenos Aires, na noite desta quinta-feira, a “compreensão em profundidade” do governo brasileiro de que há questões a resolver no Mercosul, principalmente no que diz respeito às assimetrias de desenvolvimento entre Brasil e Argentina. Em reunião no Ministério do Desenvolvimento, Lavagna ouviu de Furlan que o Brasil pode mudar as regras de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a máquinas e equipamentos. A proposta não prevê que empresas argentinas tenham acesso a linhas de crédito do BNDES, mas indiretamente beneficia empresas argentinas que forneçam a empresas brasileiras. “O exemplo que deu o ministro Furlan é um exemplo, mas não é tudo. Não é simplesmente uma questão de financiamento, mas de regras muito claras para as empresas multinacionais e como assegurar investimentos para os dois países. Entre os numerosos instrumentos que importam está o financiamento, mas não é o único”, afirmou Lavagna. O representante argentino defendeu a integração das cadeias produtivas dentro do Mercosul e viu com bons olhos a sugestão apresentada por Palocci para a criação e o fortalecimento da marca Mercosul “Temos que trabalhar para ganhar competitividade no mundo”, afirmou Lavagna. |
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||