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Atualizado às: 09 de setembro, 2004 - 18h38 GMT (15h38 Brasília)
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Brasil sugere estímulo ao setor de carros argentino

Antonio Palocci, Roberto Lavagna e Luiz Fernando Furlan
Lavagna (centro) reuniu-se com Palocci (esq.) e Furlan em Brasília
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, sinalizou que o Brasil pode mudar regras de financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para incentivar a indústria automotiva do Mercosul e reduzir as assimetrias entre os quatro sócios do bloco, principalmente entre Brasil e Argentina.

"Oferecemos analisar a possibilidade de que as partes, peças, motores e componentes na montagem de veículos 'finamizáveis' passem a incluir não só produtos brasileiros, mas do Mercosul", disse Furlan após uma reunião com o ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna.

Ele se referiu ao Finame, programa de financiamento do BNDES para máquinas e equipamentos.

Uma das principais reclamações argentinas se refere à desigualdade da competição com os produtores brasileiros devido à diferença de acesso a financiamentos, já que, além de não possuir um banco de fomento ao estilo do BNDES, as empresas da Argentina têm enfrentado dificuldades de acesso a crédito internacional devido à moratória decretada pelo país.

"Isso daria uma melhor condição de financiamento e poderia estimular também a produção considerando o produto Mercosul, e não apenas o brasileiro, para efeito do Finame, especificamente no setor automotivo", completou Furlan, sem porém dar detalhes da proposta, que está em análise na secretaria técnica do Mercosul.

Prazo

Na quarta-feira, o presidente argentino, Néstor Kirchner, disse que não seria possível cumprir o prazo do acordo que estabelece o livre comércio para o setor automotivo no Mercosul a partir de 2006.

Furlan afirmou que a questão não foi apresentada na reunião com Lavagna e que uma eventual resposta teria que ser definida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Ele ressaltou ainda que, no encontro com Lavagna, foi discutida a "integração das cadeias produtivas" do Mercosul.

Em relação às insatisfações argentinas, Furlan disse que a proposta do Finame já é uma resposta concreta para resolver as assimetrias, mas deixou claro que não entraria em detalhes.

"Recebemos esse dossiê ao final da reunião e nos comprometemos a ler, opinar e nos reunirmos na seqüência", afirmou o ministro.

Detalhes

Mais tarde, o secretário-executivo do Minstério do Desenvolvimento, Márcio Fortes, explicou a proposta de financiamento do BNDES.

"O Finame financia produtos nacionais que tenham conteúdo 60% nacional. Uma possibilidade que foi solicitada para a consideração é que, nesse 60% de conteúdo nacional, esteja também incluído o conteúdo regional do Mercosul", disse Fortes.

O secretário-executivo explicou que, por enquanto, a proposta se refere apenas a bens de capital no setor automotivo, como caminhões e tratores.

A idéia é que uma empresa brasileira que fabrique produtos que tenham 60% de seus componentes fabricados no Mercosul (e não apenas no Brasil, como acontece atualmente) também possa ter acesso ao Finame.

A medida não significa que o Brasil passará a financiar a produção argentina, mas cria benefícios indiretos à indústria do país vizinho, que poderia, assim,
fornecer seus produtos a clientes brasileiros em igualdade de condições com seus concorrentes instalados no Brasil.

Depois de se encontrar com Lavagna, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que os dois não trataram de questões específicas, como as
ameaças argentinas de restringir a entrada de certos tipos de produtos brasileiros.

"Sempre temos o Mercosul como projeto, e é nesse marco que buscamos encontrar soluções", declarou Amorim.

Ele acrescentou que Lavagna reconheceu que as assimetrias não são culpa do Brasil, mas sim porque a Argentina se desindustrializou nos anos 90. Ele afirmou que o setor privado dos dois países também precisa colaborar para reduzir essas disparidades.

LulaMercosul
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