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Milhares protestam contra ataque a escola no Paquistão | ||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||||
Milhares de pessoas protestaram nesta terça-feira no Paquistão contra o bombardeio de forças paquistanesas a uma escola religiosa, que matou 80 pessoas. A madrassa (como são conhecidas as escolas religiosas islâmicas) fica na área tribal de Bajaur, na fronteira como Afeganistão e foi destruída por um helicóptero militar na manhã de segunda-feira. Segundo o Exército, a escola era usada como campo de treinamento para militantes. Mas os manifestantes dizem que os mortos não eram militantes, e sim estudantes. O príncipe Charles, herdeiro do trono britânico e sua esposa Camilla Parker-Bowles estão no país. A visita que fariam a uma madrassa na cidade de Peshawar foi cancelada por razões de segurança. Estados Unidos Várias manifestações estavam previstas ao longo desta terça-feira em todo o Paquistão. Durante a manhã, cerca de quatro mil pessoas protestaram na cidade de Khar, a maior de Bajaur, gritando slogans defendendo a guerra santa contra os Estados Unidos e dizendo "Morte a Bush". Eles acusam o governo americano de envolvimento na operação, e alguns moradores da cidade dizem ter visto um avião de reconhecimento não-tripulado americano sobrevoando a área antes do ataque. O major-general paquistanês Shaukat Sultan afirmou à agência Associated Press que houve "compartilhamento de inteligência" com os Estados Unidos. O Exército americano negou envolvimento no ataque. "Eu posso assegurar sem dúvida que Exército americano no Afeganistão não teve nada a ver com o ataque", disse o coronel Tom Collins à agência de notícias Reuters. O Paquistão posicionou quase 80 mil soldados na fronteira com o Afeganistão. As tropas têm a missão de buscar militantes que procuraram refúgio no acidentado terreno das áreas tribais, depois da derrubada do regime do Talebã no Afeganistão no final de 2001. Madrassas O presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, prometeu reformar as madrassas depois que várias delas escolas foram criticadas por apoiar a militância islâmica. O líder da madrassa de Bajaur, o clérigo radical Maulvi Liaqat Ullah Hussain, também morreu no ataque. Ele fez campanha pela implementação de leis islâmicas na área. Um ministro da Província da Fronteira Noroeste, Siraj ul-Haq, renunciou ao cargo em protesto pelo ataque. "Esta é uma ação muito equivocada. Eles (as vítimas) não receberam nenhuma advertência. Este foi um ataque não-provocado a uma madrassa. Eles eram pessoas inocentes", disse ele à Associated Press antes de renunciar. O ataque ocorreu dois dias depois que militantes locais participaram de um ato público na área, onde proclamaram como seus heróis o líder da rede extremista Al-Qaeda, Osama Bin Laden, e o líder do Talebã, Mulá Muhammad Omar. A correspondente da BBC na capital do Paquistão, Islamabad, Barbara Plett, disse que o ataque desta segunda-feira coincide com conversações de paz entre líderes tribais e militantes pró-Talebã em Bajaur. Bajaur, que tem fronteira com a província província de Kunar, no leste do Afeganistão, afetada por atos de insurreição, foi palco de um controvertido bombardeio americano em janeiro que, acredita-se, tenha tido como alvo o segundo em comando da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahiri. O ataque, em 13 de janeiro, matou pelo menos 18 pessoas - a maioria civis. Em maio, as autoridades paquistanesas disseram que uma figura de destaque na Al-Qaeda, Abu Marwan al-Suri, foi morta em Bajaur durante choques com a polícia local. |
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